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O ano era 1987. Enquanto os Estados Unidos se surpreendiam com "O Cavaleiro das Trevas", a criação máxima do quadrinista narigudo Frank Miller, do outro lado do mundo um jovem criativo da Capcom conhecido como Kenji Inafune saía de seu estúdio com uma criação genial: o simpático personagem chamado Rockman. No Ocidente, ele se transformaria em sucesso incontestável sob o codinome…Megaman. Inicialmente, o jogo deveria sair para arcade (imagino o quanto de fichas o cidadão não ia gastar para ver cada um dos estágios até começarem a surgir os primeiros debulhadores do jogo), mas a divisão de arcades não gostou da idéia, jogando o pequenino robô que amamos para o NES (Nintendo 8 bits). Mal sabiam eles que, no final das contas, o primeiro lote de cartuchos de "Megaman" (o primeirão) se esgotou em 3 dias!!!!!
Me lembro que "Megaman 2" foi um dos primeiros jogos nos quais me aventurei no popular "Phanton System", videogame da Gradiente que foi explosão de vendas no Brasil mas que não passava do nosso bom e velho Nintendinho. Acabei me apaixonando. Saía da escola e ia direto pra locadora em busca dos joguinhos daquele baixote azulado (pra poder jogar durante à tarde, acordava mais cedo e fazia toda a minha lição de casa antes da escola, tá pensando o quê?).
Na hora do recreio, a gente ficava brincando de adivinhar qual era a arma de cada um dos diferentes "chefes de fase" que o Megaman enfrentava. A idéia do Inafune ao fazer com que cada chefe tivesse uma fraqueza a uma arma diferente (por isso o Megaman colecionava TODAS elas) foi baseada no janken-pô, o clássico jogo de "pedra-papel-tesoura" no qual um elemento anula o outro.
Os nerds mais atentos logo vão sacar que o Rockman/Megaman é um personagem cujo visual claramente foi inspirado no antigo super-herói de animes (pra quem não lembra, os desenhos animados japoneses) Astro Boy, criação do simpático Osamu Tezuka (o mesmo de "A Princesa e o Cavaleiro" e "Kimba, o Leão Branco). Mas se você der uma olhadela nas capas de "Megaman" e "Megaman 2" vai ver que o visú do nosso herói ainda não estava muito bem definido. No primeiro jogo, ele lembrava uma espécie de guerreiro futurista vestido de azul e laranja. Já o design dele na seqüência parece (sem sacanagem) uma mulher, com peitos e tudo. Pode reparar! No terceiro jogo é que ele começou a ganhar a cara que conhecemos atualmente.
No entanto, as influências de Inafune para desenvolver o universo de Megaman foram muito além da cultura pop japonesa: os quadrinhos americanos, dos quais era fã declarado, também marcaram presença. Veja, por exemplo, o elmo do Elecman, o primeiro inimigo do Megaman que o japa doidão desenvolveu: é notadamente inspirado na máscara do Wolverine (e, acredite: não sou eu quem está inventando esta história).
Uma curiosidade: o nome "Rockman" surgiu do gênero musical rock. O Inafune pensou que seria uma excelente combinação com o nome de sua "irmãzinha" robô, Roll (sacou, rock n’ roll?). Seguindo a mesma linha, o Protoman (o gêmeo maligno do Megaman) acabou sendo batizado de por Inafune de Breakman (ou Blues, em algumas versões). Quando o personagem foi importado para o ocidente e ganhou o nome Megaman, o criador se escangalhou de rir -parece que a palavra acabou não soando muito bem em japonês (só não venha me perguntar porque diabos!).
O esquema básico
O Fanboy costuma sempre fazer um comentário com o qual concordo plenamente (e isso é algo raro de acontecer): desde o primeiro jogo, "Megaman" funciona no mesmo esquemão básico de sempre e todo mundo gosta! É só você lembrar: jogo em scroll, você passa por de 8 a 10 fases, enfrenta de 8 a 10 inimigos diferentes e ganha a arma especial daquele que você venceu e que vai servir para derrotar um inimigo que tenha aquela arma específica como ponto fraco. Aí, você usa o simpático cachorrinho mecânico Rush para se livrar das maiores agruras, seja na forma de catapulta, de jato ou de lancha. No meio do caminho, sempre aparece o Protoman pra quebrar um pau de leve com o Megaman. E no final, resta só distribuir umas bordoadas no enlouquecido Dr. Wily e salvar o mundo. Bingo. O bom e velho Megaman que jogamos e amamos. E game over.
A história
A jornada de Megaman remete ao brilhante cientista Thomas X. Light, conhecido por nós apenas como Dr. Light. Especialista em robótica, Light sempre um idealista, planejando usar suas criações para fazer deste "um mundo melhor" (e dá-lhe Rock in Rio). Se você olha para a carinha de "anão feliz da Branca de Neve", dá pra perceber que o cara é realmente um doce de pessoa. No entanto, como era de se esperar, tinha uma pedra no meio do caminho…um tal de Dr. Albert W. Wily (uma espécie de Dr.Silvana do mundo dos videogames, um dos vilões mais divertidos da história da cultura pop). Inicialmente seu assistente, Wily partilhava dos ideais de Light, ajudando-o a desenvolver o protótipo de Protoman, um projeto de defensor perfeito para a humanidade. Mas a ambição de Wily foi maior do que seu bom coração (que bonito), e o assistente de Light roubou os protótipos do ex-parceiro, iniciando uma carreira solo como "aspirante a dominador do mundo". Light estava arrasado: fora traído por um grande amigo, perdera sua primeira criação, Protoman, e ainda teria de ver suas idéias se transformarem em armas para subjugar a humanidade ao invés de defendê-la. E então (ta-dã), depois de meses trancado em seu laboratório, Light transformou o sorridente Rock, que seria o irmão mais novo de Protoman, em Megaman, adicionando-lhe algumas armas e habilidades de combate adicionais.
Teriam início as épicas batalhas de Megaman contra as terríveis criações de Wily, uma galeria de robôs simplesmente inesquecível: Cutsman, Gutsman, Elecman e todo o resto. Mas enquanto a fábrica de traquitanas de Wily funcionava a todo vapor, Light também não ficou parado, criando a simpática Roll, irmãzinha de Megaman, inicialmente responsável pela limpeza de casa (dá pra reparar, já que seu braço direito é uma espécie de aspirador) mas que já entrou no quebra-pau várias vezes, especialmente graças a sua personalidade forte.
O grande parceiro do nosso pequenino preferido, no entanto, é o cãozinho mecânico Rush, uma espécie de Bionicão do mundo dos games (é, ele mesmo, o do Falcão Azul). Graças a um chip especial, Rush é capaz de se alterar os membros de seu corpo de diversas formas, ajudando seu dono sempre que ele se mete em encrencas (o que não é incomum).
A partir de "Mega Man 8", o primeiro jogo produzido para o console Playstation (em 97), somos apresentados a um novo personagem, o rebelde Duo (ou Double), um robô loiro e cabeludo com jeitão de motoqueiro do "Easy Rider" mas de bom coração, também criação de Dr.Light. Aliás, quem tem boa memória vai lembrar que, nas últimas versões dos jogos de Megaman, o Protoman passa a ajudar seu "irmão mais novo" em certas ocasiões.
Os outros Megamen
Mas o Megaman que conhecemos não é o único que invadiu o mundo dos jogos. Temos também o Megaman X, uma versão extra-ultra-super forte e armada até os dentes do tradicional, que estrela o jogo de mesmo nome. Este novo Megaman foi desenvolvido pelo visionário Dr.Light pensando em problemas que poderiam rolar no futuro da Terra, quando ele e o nosso bom e velho Megaman azulzinho já estivessem fora de circulação. Aí, no ano de 2101, o cientista o colocou numa cápsula de manutenção vital, com instruções para que não fosse aberta até 30 anos depois de seu lacre. Quem o encontrou, 30 anos no futuro, foi o Dr.Cain, nos destroços do laboratório do Dr. Light. A grande ameaça, desta vez, é um ciborgue sinistro conhecido como Sigma e os seus robozinhos maléficos, os Mavericks. Além do novo Megaman X, o mundo conta com a proteção de mais um tipo de robô, o Zero.
Já no jogo "Megaman Legends", somos apresentados a Megaman Neo, o defensor de uma terra alternativa (ah, não, alguém aí andou lendo gibis da Marvel demais) que mistura alta tecnologia e um ambiente meio Super Mario Brothers: princesas, duendes, magos, anões e o caralho a quatro (quem já leu Tolkien, entendeu o que eu quis dizer). Sem capacete (uau!), este Megaman é o herói de um jogo diferente, de estratégia, meio RPG e completamente em 3-D.
Eu, o Cidão véio de guerra, ainda sou fã do tradicional, numa boa! 🙂
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