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Vez por outra, a nossa querida DC Comics resolve surpreender os leitores com uma saga de proporções catastróficas, envolvendo seus títulos e personagens mais relevantes em eventos cósmicos grandiosos o suficiente para abalar de vez as estruturas…pelo menos até a próxima saga. Esta história começou com "Crise nas Infinitas Terras" -um clássico absoluto e absolutamente necessário para dar jeito a imensa zona na qual se encontrava a cronologia do mundo de Batman, Super-Homem e companhia. Passaram-se quase dez anos e a editora se depara com novo problema na sua linha de tempo (estes roteiristas não aprendem), o que acabou originando "Zero Hora". Sofrível até a última gota, este novo arco de histórias tirou Hal Jordan, o Lanterna Verde da Era de Prata, definitivamente de circulação (isso é, até ele virar o Espectro: quem quiser saber do que se trata, me escreva e conto em detalhes).
Pois bem: em junho de 2001 teve início uma nova série, que promete ser bem maior, assumindo o tamanho da "Crise…" mas com efeitos ainda mais devastadores. "Our Worlds At War" (em português, "Nossos Mundos em Guerra") durou exatos três meses. No entanto, ao invés de mexer na cronologia do universo DC, o evento pretende afetar a relação que o planeta Terra da DC tem com o nosso. Não entendeu porra nenhuma, né?
Na verdade, se você leu a MARAVILHOSA mini-série "Watchmen", basta pensar que o princípio é o mesmo: como diabos o mundo com os super-heróis pode ser o mínimo semelhante ao nosso? Cacete, eles fariam uma diferença e tanto nos campos da política, da ciência e até na religião. Por que os inventos mirabolantes do Batman nunca foram usados para melhorar a vida do cidadão comum? Por que nunca foi fundada uma seita em torno do Capitão Marvel, já que ele é a prova viva de que os deuses greco-romanos e egípcios existem? E, principalmente: por que este filho-da-puta do Super-Homem não acabou com a guerra da Bósnia?
A obrigação de estar atrelado a este tipo de questão (que qualquer fã de quadrinhos com certeza já levantou pelo menos uma vez na vida) fez a DC Comics decidir simplesmente esquecer esta relação. Com "Our Worlds at War", os roteiristas passam a ter liberdade criativa suficiente para destruir a cidade de Berlim, por exemplo, sem ter que faze-la ser magicamente reconstruída dois números depois. As ruínas de Berlim fariam parte do mapa do universo DC. Admito que o conceito é realmente dos mais interessantes. E é fácil enxergar que a mudança vem se avizinhando devagarinho: quem imaginaria, por exemplo, que o maquiavélico Lex Luthor seria eleito presidente dos EUA? É isso mesmo: na DC, não foi George Bush quem venceu as eleições, mas sim o careca que detesta o Azulão (nisso, eu e ele empatamos).
Tudo começou a tomar forma numa reunião entre Jeph Loeb, Joe Casey, Mark Schultz e Joe Kelly, os escritores dos quatro títulos do Super. O quarteto queria saber qual seria a importância do novo vilão Imperiex para os seus respectivos gibis e para o universo DC como um todo. E surgiram os primeiros rascunhos do grande evento. Obviamente o Super-Homem, no papel de maior guardião da Terra, será um dos maiores envolvidos na saga.
Mas…e qual é a história?
Seguinte: o mega-vilão Imperiex resolve tentar conquistar o planeta, deflagrando uma espécie de guerra intergaláctica. E a Terra, ponto de parada preferido dos aliens de plantão, acaba entrando na jogada. Misterioso, Imperiex destrói o planeta Plutão (aquele último do Sistema Solar, lembra? O gelado pra cacete) e o transforma num Mundo Bélico (do mesmo tipo daquele que devastou Coast City). Como bom presidente dos ianques, Luthor assume o papel de rei do mundo e resolve encarar a ameaça de frente, montando um novo Esquadrão Suicida, como novos vilões em busca do perdão governamental.
No entanto, o genocida espacial não vai medir esforços para passar por cima de nosso planetóide em sua investida, forjando até mesmo uma "aliança" com ninguém menos que Darkseid!!!!! A promessa é de que muitos personagens vão morrer no meio do caminho, incluindo heróis e coadjuvantes-chave. Uma raça de ETs ainda não-identificada deve seqüestrar TODA a população de Metrópolis (hã?). O General Zod (sim, aquele que aparece no filme "Superman 2") deve dar as caras de novo e boatos dão como certa a morte de Jonathan e Martha Kent, os pais adotivos de Kal-El (ah, que merda! Coitados…).
Nota: quando eu usei a cidade alemã de Berlim como exemplo, eu estava falando sério. Um antigo inimigo do Super-Homem, não-revelado, vai reunir um grupo de super-seres que, em sua investida contra os terrestres pode acabar varrendo Berlim do mapa. Vacinado pelos grandes tropeços dos quadrinhos de super-heróis, você ficou grilado e acha muito difícil acreditar que algo tão grande vá realmente acontecer. Pois só vou deixar o gostinho das baixas que a guerra deixou: Hipólita, Strange Visitor (personagem nova no universo do Super-Homem, ainda inédita no Brasil) e Guy Gardner (bom, este já estava pedindo) estão mortos. Aquaman está desaparecido, provavelmente morto. John Henry Irons, o Aço, também. Sam Lane, pai de Lois Lane e Secretário de Defesa do governo, foi outra vítima, morrendo para salvar o presidente Luthor.
A nova roupticha do Super
Depois de contados os mortos e feridos do conflito (no epílogo "Baixas de Guerra", em agosto), é o Super-Homem quem mais sofrer na história toda. Segundo leitores assíduos dos gibis americanos do kryptoniano, pistas de uma mudança radical vêm sendo dadas a mais de um ano pela equipe criativa do herói. Com seus ideais colocados a prova, o Homem de Aço pode acabar se transformando na criatura amargurada que vemos em "Reino do Amanhã" (Kingdom Come). Mas não é só na personalidade que o personagem promete se tornar ainda mais próximo do futuro do herói retratado por Mark Waid e Alex Ross. Para mostrar a dor pela perda de alguém que ama muito (seus pais, Jonathan e Martha Kent, desaparecidos desde a destruição da cidade de Topeka, no Kansas), Clark Kent resolve fazer uma suave alteração no seu uniforme, trocando o amarelo do fundo de seu símbolo pelo preto (veja figura ao lado). Na verdade, a inspiração para este uniforme veio mesmo da roupa do cara quando ele surgiu, criado por Jerry Siegel e Joe Shuster. E foi assim que acabou imortalizado no clássicos desenho em rotoscopia dos Irmãos Fleischer, nos anos 40.
"Eles eram a moral do Super: seus pais, professores, sua verdadeira Fortaleza da Solidão. Não importando o que rolou durante a guerra, o simples fato de Clark não saber o que aconteceu com eles vai afetar sua vida daqui pra frente", afirmou o roteirista Jeph Loeb. Este é com certeza o início de uma nova fase para o Super-Homem. Uma fase na qual talvez finalmente o herói comece a fazer sentido de novo, se tornando mais tridimensional do que meramente "aquele cara fortão de roupa azul e vermelha". É o que esperam todos os fãs do Super (eu não me incluo, portanto) e das boas histórias em quadrinhos. O que, você não concorda? Acha que o "grande escoteiro" tem sido muito bem-escrito? Pois olha só o artigo que preparei para você:
:: Quando vão aprender a escrever o Super-Homem? ::
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