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Tama-Chan ouvindo Sayonara Bye Bye – Segundo Encerramento…
Pois é: depois de quase dois anos (sendo que seis meses ficaram dormentes) acompanhando esse quarteto fantástico – apesar de várias vezes os personagens secundários brilharem muito mais do que os principais – é chegada a despedida de Yuyu Hakusho das bancas nacionais.
É estranho escrever sobre um mangá querido que se vai (agora eu sei como o Elfo se sentiu fazendo a crítica do Samurai X). Querendo ou não, a história, os personagens, as situações tomaram conta da minha vida, como se fossem parte integrante do meu dia-a-dia. Parece que, com os erros e acertos dos personagens, você se espelha nos tais para tentar fazer igual ou não, dependendo da situação. Bem, foi mais ou menos assim que eu vivi. Um bom exemplo pessoal é o Yusuke, um cara durão, “na dele”, que se mostrava cada vez mais rebelde com a vida e não estava “nem aí” prá pobre Keiko. Mas, aos poucos, ele foi amolecendo, ficando cada vez mais humano, e foi bom eu ter me espelhado nele (ainda mais eu, que transitava pela aclamada adolescência). Tanto eu quanto ele éramos fechados porque não sabíamos da complexidade e da suma importância de coisas simples, como a amizade. Sabe, dessas de olhar pros lados prá saber se tem alguém preocupado com você? É bem assim mesmo (nossa, tô ficando piegas o.O). Bom, chega de papo furado…
Um breve resumo das personalidades: Kurama, que antes se passava por um mero cdf, se revelara um youko de primeira categoria; Hiei, invocado com tudo e com todos (principalmente Kuwabara), bem… continua invocado; Kuwabara, um cara que tinha orgulho de bater nos outros mas tremia na base quando via uma assombração, demonstrou ser uma peça importante na história, sendo a chave da abertura do Makai (Lembram-se que Sensui usou o pobre valentão para abrir o buraco dos infernos?); e Yusuke – finalmente, mas não menos importante – um péssimo aluno, péssima pessoa e péssimo namorado-em-potencial (lembram da Keiko? Então…), mas que batia com goooosto no povo. E como batia (e ai de você se relá a mão na Keiko)! Aos poucos, e na medida do possível, Yusuke foi amadurecendo graças a mestra Genkai (não vou esquecer de dar a ela os créditos).
Olha, sinceramente, não vou ficar elogiando o traço do Yuyu porque, como várias vezes disseram prá mim, de vez em quando o Yoshihiro Togashi tinha uma pusta preguiça de desenhar e enchia a folha de diálogos ou de rabiscos. Também não vou dizer que a história é suuuuper original, afinal todos nós estamos cansados de anti-heróis que tem uma garota/mundo prá proteger e toma jeito de gente e salva o mundo/garota, e ficamos todos felizes.
Mas o que prende a atenção do leitor (pelo menos a minha) é a maneira de como as histórias, que tinham tudo para serem complicadas, são passadas de uma maneira simples e cativante. Quantas vezes você, leitor, está lendo, entretido, emocionado e esfusiado com as reações de Urameshi, se ele vai bater/espancar/acabar com a raça do indivíduo e, do nada ele pára e solta um “fica calmo, cara de pastel!”? Quem diria que alguém iria ser tão bobão a ponto de ser humilde? Eu não.
Acho que essa foi a mensagem principal do Togashi quando desenvolveu o mangá: a vida É simples, nós que a tornamos difícil. Imagina só quantas guerras e conflitos seriam evitados se todos simplesmente relaxassem e soltassem um “cara de pastel” assim, na humildade? Tanto que (se você não leu, SPOILER ALERT: PARE DE LER QUE EU VOU ESTRAGAR O FINAL!! JÁ PAROU? NÃO? BOM, EU AVISEI…) a batalha do Makai, decidida num mero campeonato, é travada a duras penas, e quem ganha é um banana gordo com cara de fã de Transformers (sem ofensas, Fanboy o.O) que quer o melhor pro seu mundinho. Ou seja, nada de grandiosos líderes revolucionários como o Yomi ou a Mukuro. APENAS e tão APENAS… um cara. Simples, né?
Por mais que digam que obras-primas em formato manga sejam Evangelion (que por sinal, saiu o nº 17 nas bancas), ou Akira ou quaisquer que sejam, esses mangás muito complexos deixam a gente com a pulga atrás da orelha, fazendo com que nós sejamos obrigados a monitorar nossos atos (o que na verdade não é má idéia), mas, gente, PRÁ QUE COMPLICAR se a vida por si só já é um desafio, não uma impossibilidade? É isso (vou continuar repetindo eternamente) que torna a vida difícil: complicações. Como diz um dos últimos quadros do volume 37, “os humanos são bem piores que os youkais”. Fala a verdade se isso não é uma lição de moral?! A vida tem que ser como a mensagem nas áspas acima: simples, direta e especial. Mas a gente não tá (muito) longe dessa simplicidade, não.
Voltando ao manga em si, o último volume traz um desfecho diferente comparado ao anime, uma última aventura com a turma toda (pequenas histórias mostrando o rumo de cada um dos personagens principais) e um bônus: uma entrevista com as apresentadoras e a enfermeira do Torneio das Trevas (personagens quase que terciários, por assim dizer, mas que todos se lembram). Além disso, tem uma galeria de ilustrações feitas pelo autor.
Os meus mais sinceros agradecimentos ao Yoshihiro Togashi, por ter criado um dos meus mangas favoritos, à Editora JBC por possibilitar a vinda do título e a você, nerd d’A ARCA, por estar lendo à crítica mais aberta e sensitiva que já fiz. Peço desculpas se foi pessoal demais, mas seria muito difícil comentar sobre a obra sem expressar meus sentimentos por ela. Acredito que há muitos outros nerds sentindo o mesmo.
Ah, e o anime continua diariamente no Cartoon Network e vai até o dia 17 de dezembro, quando será exibido o último episódio. Mas fica aí a lição prá todos.
Sayonara Bye Bye. Se cuida, cara de pastel!
Ainda ouvindo Sayonara Bye Bye, pela 38ª vez…porém, chorando
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