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Fato: quando assisti ao primeiro trailer de Dirty Dancing: Noites de Havana, acho que fui o único aqui da redação d’A ARCA que ficou empolgadíssimo pela película. Na verdade, me lembro de ter sido alvo da chacota de todos. Todos riam descontroladamente e apontavam os dedos em riste para mim. Aliás, me recordo até de alguém me chamando de “menininha”. Logo, só eu mesmo poderia escrever este texto. Porque todo o restante da galera se recusou terminantemente.
Pura bobagem. Eu não sou o Kevin Smith, que odeia o “Dirty Dancing” original. Até gosto do filme, por mais que seja um enorme clichê do começo ao fim. Mas este segundo…é muito mais legal e cheio de charme. A começar pela ambientação: Cuba no final da década de 50 – o que é garantia de uma trilha-sonora maravilhosa. Só isso já seria motivo suficiente para que eu fosse correndo para o cinema, como bom alucinado por música latina que sou. Tire o laquê dos anos 80 e substitua pelas camisas floridas e colares de bicheiro. E viva las maracas! 🙂
E tem mais: tá, tudo bem que “Dirty Dancing: Noites de Havana” é clichê até não poder mais. Verdade. Mas o mais legal é perceber que, principalmente na última meia-hora, na conclusão da trama, a história tem uma pequena virada que não é assim tão previsível. Não vamos exagerar e dizer: “Uau, que grande surpresa, não?”. Mas dá para o gasto.
A história, que não pode ser chamada de ‘continuação’ do Dirty Dancing original porque se passa décadas antes e não tem absolutamente nada a ver com a história de Johnny Castle (Patrick Swayze), mostra a chegada da família da estudiosa Katey Miller (Romola Garai) à Cuba. Enquanto seu pai começa a trabalhar numa filial de uma grande multinacional, a moça tem que se acostumar à nova escola, aos novos amigos (os esnobes filhinhos de americanos que moravam na ilha) e…à música. Sim, porque ela acaba envolvida pelos novos sons que conhece – afinal, as danças latinas são muito mais quentes e sensuais do que aqueles rocks ‘tutti-frutti’ dos quais os jovens americanos gostavam na época…
E é aí que ela acaba conhecendo o jovem garçom Javier Suarez (Diego Luna) – que, é claro, também faz as vezes de dançarino nas horas vagas. O resto já dá para tentar adivinhar: eles se envolvem, ele ensina a menina a dançar como uma legítima latina, os pais dela não aprovam, um mauricinho perfeito resolve gostar da garota, o casal se inscreve no concurso de dança… tudo isso bem no meio da revolução que tirou o presidente Batista do poder e levou Fidel Castro ao lugar onde está até então.
Tão talentoso quanto o colega Gael Garcia Bernál (de Má Educação e Diários de Motocicleta, o jovem Diego Luna rouba a cena. Ele é muito divertido – e, convenhamos: apesar de muito bonita, a tal da Romola Garai interpreta tanto quanto o meu polegar direito.
Destaque para a deliciosa participação especial de Patrick Swayze como um professor de dança do hotel onde a família de Katey se hospeda. O cara está velhão, tem rugas até na gengiva… mas usa a mesmíssima roupa do “Dirty Dancing” original. Revival pouco é bobagem!
Nota: a história é livremente baseada na vida da produtora JoAnn Jansen, que se mudou com a família para Cuba em 1958. Por isso, você vai ver o sub-título “baseado em uma história real” quando for aos cinemas.
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