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Artigo adicionado em 15/10/2002, às 04:36

MARVEL TOMA VERGONHA NA CARA E CONTA ORIGEM DE WOLVERINE
Um belíssimo surgimento para o mito do carcaju sanguinolento A capa do número 1, por Joe Quesada Antes de tudo: não, eu não vou ser um mané e estragar a sua espera de 27 anos para saber tudo sobre o passado obscuro do invocado mutante Wolverine com uma crítica que conta detalhes ‘além da conta’ […]

Por
Thiago "El Cid" Cardim

Um band-aid... meu mundo por um band-aid...

A capa do número 1, por Joe Quesada

Antes de tudo: não, eu não vou ser um mané e estragar a sua espera de 27 anos para saber tudo sobre o passado obscuro do invocado mutante Wolverine com uma crítica que conta detalhes ‘além da conta’ sobre a série Origem (Panini Comics). Prometo que vou fazer o possível para dizer tudo que achei sem entrar em muitos pormenores. Afinal, a surpresa é um elemento crucial na trama elaborada pelo competente argumentista Paul Jenkins.

A primeira coisa que me vem à mente é: você não vai se arrepender. De jeito nenhum. Valeu a pena aguardar todo este tempo. Todo o mistério que a Marvel Comics criou em torno do personagem mais importante do universo X se desvanece numa história envolvente e surpreendente. Eu, por exemplo, nunca fui exatamente um fã do baixinho canadense. No entanto, espero que a abordagem que Jenkins cria para o herói nesta série em seis partes (que a Panini sabiamente publica por estas bandas em três edições) se torne uma espécie de guia para futuros roteiristas, evitando aquelas histórias que só sabem fazer uso da ultra-violência de Logan, tornando-o completamente superficial.

Quem andou lendo os gibis mais recentes do personagem vai ficar com uma pulga atrás da orelha para saber como o Jenkins amarra todo o material já publicado sobre o Logan. Afinal, uma série de autores mostraram o cara em diversos momentos da história, incluindo a Segunda Guerra Mundial. Mas pode deixar o arrepio na espinha passar: até a minissérie Arma X, de Barry Windsor-Smith, até respeitada em ‘Origem’. Os fãs de quadrinhos respiram aliviados. Não era pra menos: Jenkins é acompanhado de perto por Joe Quesada (editor-chefe da Marvel e capista da série) e por Bill Jemas (presidente da editora) neste importante roteiro.

A história de Wolverine começaa revelando seu verdadeiro nome… que eu prefiro não contar aqui. Quem já leu a primeira edição da série vai entender muito bem o porquê. Tudo se inicia na infância daquele que viria a se chamar Logan (não, não é seu verdadeiro nome, você vai entender porque ele será adotado). Embora não fique claro em que época tudo acontece, a história parece rolar na virada do século… dezenove. Isso mesmo. Ele é realmente um homem centenário, cujas habilidades regenerativas o fazem envelhecer muito mais devagar. O pequeno Wolvie tem em torno de 10, 11 anos e vive na cidade de Alberta, no Canadá. É no berço amaldiçoado de uma família de nobres que a tragédia se desenrola… e o futuro herói finalmente descobre suas garras de ossos, num dos momentos mais fortes da série.

Mamy, acho que me coooooortei!

O jovem Wolverine descobre suas garras

Aos poucos, de forma sutil, Jenkins nos mostra como ele descobriu seus outros poderes mutantes (os sentidos ampliados e a renegeração), sem citar, em nenhum momento, que ele seria mutante. Afinal, naquela época esta nova espécie ainda não era uma realidade para os humanos. Tido como aberração, ele começa a se tornar um caçador selvagem nas florestas do norte do Canadá. Em meio aos lobos, seus instintos começam a falar mais alto.

O mais interessante, no entanto, é sacar claramente porque Wolverine acabou apagando de sua mente uma boa parte de suas memórias mais antigas. Cheio de problemas emocionais, o pobre garoto tem dificuldades para esquecer a tragédia que se sucedeu e acaba renegando seu passado, assumindo de corpo e alma sua nova identidade. “Para mim, não existiu vida antes! Eu não sou mais o mesmo”, ele diz. Fica clara a mudança de atitude do rapaz, até mesmo em suas roupas – agora mais próximas do estilo ‘lenhador de camisa xadrex’ que ele tanto gosta de usar atualmente. Embora não fique 100% claro, parece que o choque mexeu de tal forma com ‘Logan’ que seu inconsciente ajudou a apagar mais trechos de sua memória, como uma espécie de escape psicológico que, anos mais tarde, ajudaria a torná-lo a máquina de matar sem memória do experimento Arma-X. Os implantes de memória agiriam muito fácil em uma psiquê perturbada.

Vale ressaltar ainda a presença da personagem Rose, uma pobre menina do vilarejo que vai trabalhar na mansão dos Howlett e acaba conhecendo ‘Logan’. O apoio da pequena ruivinha, decididamente a primeira paixão da vida do Carcaju, acaba se tornando essencial, mostrando claramente a origem de seu problema com as ruivas. Primeiro, Heather Hudson, a Guardiã da Tropa Alfa. Depois, sua já clássica e conturbada relação com Jean Grey…

:: E A ARTE, MEU CARO?

De cair o queixo, simplesmente espetacular. O toque envelhecido do traço de Andy Kubert, que deve ter aprendido muito bem com o papai Joe, funciona perfeitamente para situar o leitor numa história que se passa no século XIX. Os olhares e movimentos de seus personagens são de uma tamanha expressividade que a série ganha em força dramática e densidade. Parabéns também para o colorista Richard Isanove, que trabalha digitalmente sobre o desenho de Kubert… sem arte-final! O resultado está lindíssimo, perfeitamente natural, muito bem acabado e com a profundidade que se espera do arte-finalista.

Ara, sô...

A capa da segunda edição ianque

:: SÓ LEMBRANDO…

Criado em 1974 por Len Wein para participar de um confronto entre o Incrível Hulk e o Wendigo na edição 180 de The Incredible Hulk, Wolverine só ganhou destaque no universo Marvel quando Chris Claremont e o desenhista Dave Cockrum decidiram que ele faria parte dos Novos X-Men. Assim, em Giant-Size X-Men 1, de 75, ele se juntou a Colossus, Banshee, Noturno e Tempestade para resgatar os X-Men originais (Jean Grey, Ciclope, Fera, Anjo e Homem de Gelo) de Krakoa, a Ilha Viva (puta vilãozinho meia-boca). Só com a entrada do desenhista John Byrne é que ele ganhou corpo, e o estilão bad boy, todo arrogante, machão, charuto na boca e camisa aberta mostrando o pêlo do peito (eca!) conquistaram os leitores.

Seu passado, no entanto, era sombrio até então. Esquecendo as cagadas que alguns estúpidos andaram fazendo no passado com os roteiros dos X-Men, sabe-se que ele lutou ao lado do Capitão América na II Guerra Mundial, atuou em missões para a CIA (ao lado do Dentes-de-Sabre e do sinistro Maverick) e fez parte do terrével projeto Arma X, do governo canadense, onde conheceu e lutou ao lado da galera da Tropa Alfa. A maravilhosa minissérie “Arma X”, de Barry Windsor-Smith, contou um pouco deste período da vida de Logan, quando seu esqueleto foi revestido de adamantium, um dos metais mais resistentes do mundo.

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