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Os iniciantes parecem não ter muita consciência disso. Normal, eles não conhecem esta porra de jogo e não são obrigados a saber de tudo. Mas tem até alguns veteranos que insistem em esquecer o danado do roleplaying. Roleplaying é o simples ato de interpretar um papel. E não é isso que o RPG é, um jogo de interpretação? Mas tem gente que finge que não sabe do que se trata.
Muitos jogadores insistem em correr numa busca inútil por poder: quando montam um personagem, criam toda a série de defeitos sem nenhuma relação com o personagem, só pra ganhar mais e mais pontos e dar mais poderes ao seu PC. Eu conheci vários tipos assim: o personagem do sujeito é surdo, manco, meio cego, tem alergia a drogas, a pó e a samambaias chinesas e intolerância a ricos, mendigos e manequins da C&A.
Durante o jogo, então, é um Deus nos acuda: o cara passa todas as partidas desafiando tudo e todos, sempre em busca de mais pontos de experiência para comprar mais e mais pontos de poder. Só pra dizer que é o fodão. E não me venham dizer que este tipo de cara é incomum. Todos conhecemos pelo menos um camarada cabeça-oca assim. O chamado player OVERPOWER. Isto não é um jogador de RPG.
RPG é legal pela interpretação : você interpreta uma outra pessoa, e não um super-herói invencível (nem nos jogos da DC ou da Marvel um personagem assim é legal…). Uma pessoa com qualidades, claro, mas também com muitos defeitos, pequenas coisinhas que tornam um personagem interessante de ser interpretado. Não interessa se ele é poderoso ou não. Os personagens que mais desafiam a sua interpretação são aqueles mais próximos do ser humano: o detetive alcóolatra; o velho milionário ríspido que no fundo só quer um pouco de atenção; o mendigo, o barman, o motorista de táxi, o cego, o deficiente físico…
Eu crio muitos personagens assim: jamais coloco alguma coisa na ficha que não tenha nada a ver com ele. Tudo na planilha tem de estar interligado, tudo tem que ter um motivo. E por isso, muita gente entra numas de me zoar, dizendo que estando fraquinho nos poderes eu vou ser detonado logo, logo. Vou dizer: um personagem só morre num jogo se for suicida ou muito folgado. Se você interpreta bem o seu personagem, você vai é se divertir pacas! Eu já joguei com um Gangrel cego! E adoro jogar com personagens bêbados, fumantes inveterados, drogados, loucos (Malkavian RULES!), ou totalmente atrapalhados. Também já joguei com um personagem estilo Mr.Bean: bom coração, mas burro como uma porta e totalmente desengonçado. Um bom personagem, de personalidade complexa, não precisa ser sisudo, sombrio, cheio de problemas… ele pode ser tragicamente engraçado!
Interpretação evita que o seu jogo vire uma espécie de ringue, onde todos se digladiam para saber quem é o mais forte! Isso torna o jogo chato, sem criatividade… Pense nisso, jogador, e veja se você não tá exagerando na força e esquecendo do cérebro e do coração… Pense nisso, mestre, e comece a privilegiar os personagens que são puro roleplaying. Isso torna o jogo mais leve, mais dinâmico e desvinculado das regras e dados, afinal de contas…
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