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Desde que eu vi, pela primeira vez, o pioneiro teaser-trailer deste "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel", eu sabia que ia me apaixonar pela ambiciosa empreitada do semi-desconhecido diretor neo-zelandês Peter Jackson (de Os Espíritos, com Michael J.Fox). Quando recebi o convite para assistir à pré-estréia para a imprensa, eu tive plena certeza que assim que eu sentasse na poltrona do cinema, meu coração estaria conquistado. E não houve dúvidas: quando as luzes se acenderam, Frodo, Gandalf e cia ganharam um lugar no rol dos melhores filmes da minha vida. E eu estava ali, prontinho para mais três horas de Tolkien.
Caso você tenha vivido em Saturno nos últimos dois anos, saiba que esta belíssima película é a adaptação para as telonas do primeiro livro da trilogia "O Senhor dos Anéis", do escritor sul-africano J.R.R.Tolkien. Só pra você sentir o tamanho da responsa do diretor: esta obra já foi eleita, diversas vezes, como o "livro mais importante do século". E foi "este tal de Tolkien" que criou o universo de fantasia que conhecemos de toda uma série de quadrinhos, filmes, RPGs e desenhos animados – a mistura de elementos variados da mitologia celta, germânica e uma série de outras lendas da europa medieval (e até da Bíblia) deu origem ao mundo dos magos, cavaleiros medievais, dragões, fadas, elfos, anões…Conheça tudo sobre a importância de Tolkien clicando aqui!
Um resumo da história: o pequeno hobbit (raça semi-humana, mais baixinha e de pés peludos) Frodo Bolseiro se vê numa guerra de proporções míticas num lugar nem tão distante assim chamado Terra-Média (que poderia ter sido o nosso planeta há uns sete mil anos), quando cai em suas mãos um artefato ancestral chamado o Um Anel. Este instrumento confere poder absoluto a quem o possuir e permitiria que Sauron, o terrível Senhor do Reino de Mordor, dominasse e escravizasse o mundo todo. Ao lado de um grupo diverso formado por humanos, elfos, anões, hobbits e um poderoso mago de nome Gandalf, o pequenino deve levar a peça para ser destruída no fogo da Montanha da Perdição, onde foi originalmente forjada. Quer entender melhor a história e conhecer os personagens? Clica aqui que é fácil, fácil!
As interpretações estão divinas. Os estreantes Orlando Bloom (Legolas), Billy Boyd (Pippin) e Dominic Monaghan (Merry) mostram a que vieram competentemente. Elijah Wood, assumindo o papel de Frodo, surpreende pelos gestos e olhares. Sean Astin emociona como Sam Gamgee, mostrando que superou o estigma d’Os Gonnies e pode ser um bom ator. O Aragorn de Viggo Mortensen pode ter alavancado o cara ao melhor papel de sua carreira. Mas o grande destaque é, com certeza, a química da dupla Sir Ian McKellen e Christopher Lee nas telas. Os dois veteranos do cinema clássico transpiram poder e enchem os olhos na pele dos magos Gandalf e Saruman. A cena da batalha entre os dois mostra que é possível fazer dois feiticeiros batalharem sem efeitos pirotécnicos. Espetacular. Por falar nos veteranos, vale também ficar de olho na participação de Ian Holm como Bilbo Bolseiro. Rabugento e adorável.
Os cenários dão um show a parte. Quando o grupo chega à cidade de Valfenda, refúgio dos elfos, é como entrar num verdadeiro delírio no meio da floresta. E a vila de Hobbiton é um paraíso bucólico de cores e formas com gosto de fazenda da Vovó Benta. Visualmente, o filme é rigorosamente o que Tolkien descrevia e, algumas vezes, desenhava. O timing caminha perfeitamente. A trama flui e você é transportado para ela, entrando de verdade no clima da aventura da Sociedade do Anel rumo a Mordor. O filme não corre, como se estivesse tentando recuperar o tempo perdido. Tudo acontece no tempo certo. E da melhor forma possível para deixar você babando.
E QUANTO OS FÃS MAIS HARDCORE…
…podem ficar despreocupados. A adaptação é fidelíssima, respeitando pequenos detalhes como fato dos elfos não afundarem na neve. Mas não é uma mera transposição das páginas dos livros para as telonas. Os cortes existem e foram, sim, necessários para contar a história da melhor forma possível para que aqueles que não leram o livro se divertissem tanto quanto vocês. Tom Bombadill realmente ficou de fora, mas, sejamos sinceros: por mais que ele seja legal (uma espécie de Boba Fett de Tolkien), dá pra contar a história sem ele. E quanto ao tão criticado aumento da participação da elfa Arwen (Liv Tyler), podem sossegar: nem foi tanto assim. Esta história de Xenarwen (apelido que mistura o nome da personagem ao da Princesa Guerreira dos seriados) não tem nada a ver.
Para os fanáticos, só dois detalhes poderiam estragar o filme, na verdade. Um diz respeito à cena na qual Arwen salva a vida de Frodo – sequência que acaba dando a nítida impressão que ela se sacrificou e trocou a vida dela pela dele…o que não é verdade, é claro. A outra cena que pode causar polêmica é bem no final do filme. Mas esta eu faço questão de só contar para quem mandar um e-mail pra mim – elcid@a-arca.com. Ouvi algumas críticas mas, numa boa: nada disso estragou a minha empolgação e minha diversão. Foram três horas memoráveis.
Querem um conselho? Façam como eu: relaxem e gozem. Mas gozem muito. Porque este filme é um orgasmo múltiplo com direito a kama sutra e o caralho a quatro. E olha que tem ser macho para gozar durante três horas. Por enquanto, tudo que nós, pobres mortais, temos a fazer é esperar até dezembro de 2002, quando sai "O Senhor dos Anéis: As Duas Torres". Se esperar um ano já vai ser difícil, imagine esperar dois, até o Natal de 2003, para ver o desfecho da saga de Frodo em "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei". Vai ser foda… Neste meio tempo, podemos nos divertir torcendo para que o primeiro filme ganhe o Globo de Ouro (ao qual foi indicado, você não sabia?) e, quiçá, acabe até sendo indicado ao Oscar, Quem viver, verá.
The Lord of the Rings: The Fellowship of The Ring. Produção americana (EUA) da New Line Cinema (WB). Diretor: Peter Jackson. Com Elijah Wood, Sir Ian McKellen, Cate Blanchett, Ian Holm, Christopher Lee, Viggo Mortensen, Liv Tyler, Sean Bean, Hugo Weaving, Orlando Bloom, John Rhys-Davies, Billy Boyd, Sean Astin, Dominic Monaghan
PS: Para quem é fãzaço de Tolkien, vai o desafio – reparem em algumas das falas, especialmente na primeira metade do filme, e percebam as brincadeiras que o diretor Peter Jackson faz com os nomes dos capítulos do livro! 🙂
Bom…
…se mesmo assim você desconfia da qualidade da produção, clique aqui para ver a nossa galeria de imagens relacionadas ao filme.
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