|
Os últimos ANOS, desde o fim de 99, têm sido bastante frutíferos para o mundo do RPG. É novidade que não acaba mais: os filmes baseados no Dungeons and Dragons (UMA MERDA) e no fantástico Lord of The Rings (Senhor dos Anéis, do mestre J.R.R.Tolkien) estourando nas telonas; o AD&D chegou com uma mais do que polêmica terceira edição; a White Wolf anunciou uma terceira edição do Mage e uma bisonha história sobre o fim do antidiluviano Ravnos; finalmente o Ars Magica chega ao Brasil; e o RPG nacional está crescendo como nunca antes se viu!
É mesmo um paraíso…Ôpa, peraí! Tem alguma coisa de errado nesta história, né? Será que esta parte sobre o RPG nacional está realmente certa?
Está sim…mas está sendo tratada sob o ponto de vista errado! 🙂
Nunca se discutiu tanto sobre o RPG no Brasil: as listas de discussão mais conhecidas do país (TrailsRPG e Spellbrasil) são excelentes fontes de referências e sugestões para histórias, além de levantarem ótimos tópicos para que se discuta (e quebre o pau!) sobre como melhorar este ou aquele sistema ou o mundo do RPG como um todo. E já que falamos na internet, ela é uma ferramenta fantástica para que a imaginação tupiniquim corra solta, e apareçam mais e mais histórias e sistemas amadores pela Rede: alguns são bem rústicos e outros são uma porcaria mesmo, mas tem aqueles que são ducaraio, e que de tão bem elaborados mereciam ser publicados para atingir o grande público…bem mais do que uns e outros que estão por aí nas livrarias…
E o Encontro Internacional de RPG, não é um sucesso mais do que comprovado? Tanto é que serviu de inspiração para vários e vários encontros regionais em todas as partes do país, com o apoio de escolas, associações, livrarias e editoras…Ou seja: então, o mundo do RPG no Brasil é mesmo uma maravilha? Mas será que o El Cid não está esquecendo nada? Este mala sempre tem um MAS ou um PORÉM guardado na manga…E tenho mesmo!
E os sistemas nacionais, que tem saído em livros aos montes? Era neste ponto que vocês queriam que eu chegasse, né? Well, antes de mais nada, gostaria de deixar claro que faz muito tempo que não vejo material criativo de procedência nacional, como o foi O Desafio dos Bandeirantes (na minha opinião, o melhor RPG nacional até agora!). A idéia do Tagmar é bem legal, mas é totalmente baseada no jeito Tolkieniano de ser, ou seja: não traz nada de novo. Já quanto aos novos sistemas nacionais…bem, vamos a eles…
Trevas, Vampiros Mitológicos, Invasão e toda esta última safra que conhecemos: todos podem até ser excelentes trabalhos de pesquisa, podem ser divertidos pra diabo e tudo o mais…mas o que eles trazem de inovação??? O tão discutido Trevas, por exemplo, do mais do que controvertido Marcelo Del Debbio: fora as acusações de que seu sistema de magias seja cópia do Ars Magica (isso eu prometo que nem vou comentar!), eu não vi nada de novo no livro! Ele tem é um mix fantástico de antigos mitos, lendas, misturando espiritismo, cabala, os conceitos dantescos das dimensões e planos espirituais de céu e inferno. Como eu disse: um trabalho impecável com relação a pesquisa! Mas e de novidade, de surpreendente e criativo, o que ele trás??? Terror, suspense, sobrenatural, anjos e demônios, tudo isso já é assunto recorrente em diversos livros mais do que conhecidos do público geral: Ravenloft, Vampire, Kult, In Nomine…
Entenderam o que o Tio Cid quis dizer? O Desafio dos Bandeirantes apelou pra novidade, por misturar história do Brasil com RPG, coisa inusitada até então! Tanto é que o Mini-GURPS: Descobrimento do Brasil seguiu esta mesma linha e até teve boa aceitação (embora alguns sacanas digam que o jogo acaba quando o Cabral chega no Brasil!).
Outro lançamento que foi uma idéia bem legal foi o Defensores de Tóquio, do pessoal da Dragão Brasil. Um novo sistema, com seus defeitos e qualidades, mas inegavelmente simples para um iniciante – e que era humor puro, te permitindo ser um dos clássicos heróis japoneses com seus robôs gigantes e monstros super bregóides!
Mas aí…os caras desenvolveram a coisa, criaram o tal do 3D&T, e então o treco complicou. Agora, além de dar um desnecessário destaque ao seu próprio sistema na revista, os tios Trevisan, Saladino, Del Greco e companhia resolveram adaptar tudo que vêem pela frente para a 3D&T: games, gibis, filmes de ação…E surgiram com o tão falado Tormenta, título deste artigo. Tanto se falou deste jogo, que seria inovador, uma ambientação fantástica…mas, pra mim, ele segue um ambiente típico de Tolkien/AD&D, com orcs, trolls, fadas e duendes, cavaleiros, magos, ladrões e bárbaros…não me parece nada do que foi proclamado!
Nota: A idéia de se fazer uma série de histórias em quadrinhos baseada neste sistema de RPG foi, no mínimo, inteligente! Gostei! 🙂
Acho que era isso…viram só como a visão deste paraíso RPGístico está um tanto quanto errada?
Bem, quando eu lembrar de mais alguma coisa pra falar mal, prometo que volto ao assunto…Agora, quem vai querer aquela pizza do Domino’s Pizza? A palavra-chave, neste momento, é uma só: CRIATIVIDADE. Eu aceito um pouquinho sem cebola, por favor!
Se você ficou puto comigo e achou que eu não falo nada com nada, beleza! Você não é o único! Mas mesmo assim eu continuo porque sou burro feito uma porta! – elcid@a-arca.com
E, aproveitando que estamos falando no assunto…
:: Conheça um pouco da história do RPG no Brasil
|