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Antes de tudo, é bom que você tenha plena consciência de que esta trilha-sonora, lançada em CD pela Sony Music, traz mais do que as músicas que tocam no filme, mas também reúne faixas INSPIRADAS pelo filme. De qualquer maneira, isso não diminui o fato de que a compilação é fraquíssima, especialmente se comparada com a belíssima adaptação que Sam Raimi conseguiu fazer para a telona. Aliás, em alguns momentos esta informação até conspira contra, quando você se dá conta de que certas músicas não lembram em porra nenhuma qualquer elemento do universo do aracnídeo. "Hã…mas o que esta canção está fazendo num CD dedicado ao Aranha?", você vai se perguntar com toda a certeza.
Na verdade, o grande demérito do disco é a maldita insistência em reunir as bandas que são moda atualmente nos Estados Unidos. Além de praticamente desconhecidas no Brasil, todas elas seguem um mesmo padrão sonoro, o que acaba deixando boa parte das faixas muito parecidas. Default, Greenwheel, The Hives, Injected, todos são grupos que fazem parte daquela geração de "semi-pesados" que infestam as rádios americanas. Eu defino como "semi-pesadas" aquelas bandas que não são assumidamente metal, mas descem o braço nas guitarras, e também não são assumidamente pop, mas se derretem em melodias certeiras e letras fáceis. Meio Creed, Nickelback, deu pra entender? Uma espécie de hard rock do século XXI, sem aquela graça que tinha o hard rock dos anos 80. Conforme você vai caminhando pelas faixas, a coisa vai ficando repetitiva, meio difícil de aguentar por mais de meia-hora.
É óbvio que o CD tem algumas coisas boas: "My Nutmeg Phantasy", cantada por Macy Gray e remixada por Tom Morello (do Rage Against The Machine), marca uma inusitada parceria que deu certo. Por falar em inusitada, a balada de Corey Taylor, "Bother", é uma delícia…mas que diabos: é o vocalista do Slipknot, banda na qual ele só canta aos urros enfurecidos! Bem legal ver o quanto um artista consegue ser variado.
"When It Started", dos Strokes, até que tem uma levada divertida – o que me surpreendeu bastante, já que acho os caras um bando de malas sem alça. Gostei bastante da força da balada "Hero", do vocalista do Nickelback, Chad Kroeger. Basta prestar atenção na letra para perceber o quanto ela capta perfeitamente o espírito do herói – que, pelo filme, vai dar pra sacar que carrega uma enorme carga dramática.
Por mais que eu saiba que o R.Pichuebas vá querer me matar, fiquei um tantinho decepcionado com o instrumental de Danny Elfman. Especialmente na música de abertura dá pra sacar aquele toque de filme do Tim Burton, lembrando imediatamente dos minutos iniciais do primeiro filme do "Batman". Ele é o maaaaaaaaaster…mas podia ter tentado variar um pouco nos acordes.
Pra terminar, não podia deixar de citar a reinvenção que o Aerosmith fez da clássica música tema do Cabeça-de-Teia. Ouvi uma dezena de críticas negativas, dizendo que o grupo de Steven Tyler destruiu uma música que deveria ser "intocável". Bobagem. A canção ficou até interessante, curti bastante a forma pela qual eles se pretenderam a fazer uma coisa com a cara deles, se distanciando da interpretação particular que o Ramones deu à música. Podia estar melhor…mas não está tão ruim assim.
TRACKLIST
01. "Theme From Spider Man" (Original)
02. "Hero" (com Chad Kroeger, do Nickelback, Josey Scott, do Saliva, Matt Cameron, do Pearl Jam, e Tyler Connolly, do Theory of a Dead Man)
03. "What We’re All About" – Sum 41
04. "Learn To Crawl" – Black Lab
05. "Somebody Else" – Bleu
06. "Bug Bytes" – Alien Ant Farm
07. "Blind" – Default
08. "Bother" – Corey Taylor (Slipknot)
09. "Shelter" – Greenwheel
10. "When It Started" – Strokes
11. "Hate To Say I Told You So" – Hives
12. "Invisible Man" – Theory of a Dead Man
13. "Undercover" – Pete Yorn
14. "My Nutmeg Fantasy" – Macy Gray (Remixada por Tom Morello)
15. "I-IV-V" – Injected
16. "She Was My Girl" – Jerry Cantrell
17. "Main Titles" – Danny Elfman
18. "Farewell" – Danny Elfman
19. "Theme From Spider Man" – Aerosmith
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