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Artigo adicionado em 18/04/2005, às 02:47

Review: METAL GEAR SOLID 3 – SNAKE EATER
O melhor épico militar em anos! Desde 1987, lá, no velho Nintendinho, existe Metal Gear Solid, um dos primeiros jogos da gigante japonesa Konami. Muitos não sabem disso, conhecendo somente a hiper famosa versão para PlayStation, onde uma jogabilidade inovadora, uma história fascinante e personagens memoráveis criaram uma legião de fãs. Fãs um pouco decepcionados […]

Por
Thiago "El Cid" Cardim


Desde 1987, lá, no velho Nintendinho, existe Metal Gear Solid, um dos primeiros jogos da gigante japonesa Konami. Muitos não sabem disso, conhecendo somente a hiper famosa versão para PlayStation, onde uma jogabilidade inovadora, uma história fascinante e personagens memoráveis criaram uma legião de fãs. Fãs um pouco decepcionados com a continuação, Metal Gear Solid 2: Sons Of Liberty, onde não jogavam com o durão e carismático Solid Snake, e sim com o andrógeno Rayden. O que não fazia do jogo um jogo ruim exatamente.

Eis que na E3 de 2004 pudemos ter uma pequena amostra de um dos jogos que mais prometiam da feira, Metal Gear Solid 3: Snake Eater. E finalmente, ele chegou. E posso dizer com todas as forças, é uma peça de entretenimento muito, MUITO superior a diversos jogos, filmes, livros e quadrinhos que se vêem por aí. É um daqueles jogos que aliando uma jogabilidade fabulosa, uma história criativa e profunda, belíssimos gráficos e um clima simplesmente perfeito, dá mais pano pra manga para aquela discussão, sobre games poderem ser considerados obras de arte. Não é exatamente um jogo que revoluciona o gênero, mas ao reproduzir a fórmula de seus antecessores com competência, adicionando maravilhosas melhoras e novas idéias, se torna um jogo memorável, que, arrisco dizer, será lembrado como clássico daqui a muitos anos.

:: Comedor de Cobra (hein?)

Você joga na pele do agente secreto da CIA, codinome Naked Snake (ou “cobra pelada”… Tá bom, a tradução desses apelidos está ficando bem esquisita…). Ele faz parte de um projeto secreto do governo americano, o chamado FOX, uma divisão especialista em missões delicadas e de alta importância. A história se passa em plena Guerra Fria, aquela grande troca de ameaças atômicas entre os EUA e a URSS, que rendeu tantos filmes de 007. Hora de lembrar um pouquinho das aulas de história.

Crise dos mísseis em Cuba. Os soviéticos tinham aqueles mísseis em Cuba, apontados pros EUA, que por sua vez não estavam tão contentes. Para evitar um holocausto nuclear, os americanos aceitam tirar os mísseis que tinham na Turquia, e os Soviéticos aceitam tirar os mísseis de Cuba. Mas os americanos são bem safadinhos, pois os mísseis da Turquia eram obsoletos. Agora é que entra a parte do jogo. A verdadeira razão pelos os soviéticos tirarem seus mísseis de Cuba seria a devolução de um cientista russo chamado Sokolov, expert no design de armas, que estaria em poder dos americanos.

Vendo que o cientista tem muito talento para fazer coisas que machucam muito (e não a favor deles), o governo americano decide botar FOX em prática, escalando seu melhor agente, Snake, para resgatar o tal cientista. Ajudando você através do rádio estão Major Zero, seu comandante, sempre lhe dizendo o que fazer em seguida; Para-Medic, uma fanática por filmes que lhe ajuda quando a questão é comida ou curativos (a serem comentados a seguir) e salva o jogo, sempre comentando sobre filmes famosos e suas aplicações na sua missão, ou simplesmente fazendo algum comentário cômico; Sigint, especialista em armas e camuflagens (a ser comentado a seguir); e The Boss, a mulher que treinou Snake, que se transforma num dos personagens mais complexos e intrigantes do jogo.

Mas não demora até tudo dar uma, duas, várias viradas, deixando Snake com uma nova missão, na qual terá que enfrentar o insano General Volgin (um vilão muito bacana, sem falar de extremamente perturbado) e os temíveis COBRAS, grupo de elite que ajudou os aliados na Segunda Guerra Mundial, que agora está do lado de Volgin. Aliás, cada vez que você enfrenta um dos COBRAS, vivencia uma batalha de chefão muito legal, com destaque especial para o grande duelo no final. Outro que também vai pegar muito no pé de Snake é Ocelot, um dos vilões favoritos dos outros jogos da série, agora como um ainda jovem e um pouco inexperiente pistoleiro de elite.

A história vai desenrolando aos poucos, através de cenas incrivelmente bem feitas, praticamente usando os personagens feitos em polígonos gráficos como atores da história, contada no melhor estilo 007 (tem até apresentação com música cantada e formas pseudo-abstratas!), só que nem perto da superficialidade de uma história de James Bond. Você vai passar muito tempo simplesmente assistindo o jogo, o que não é nada ruim, dado que as cenas são estilosíssimas, e só fazem você querer que algum dia façam um filme baseado nesse jogo (aliás, de vez em quando há a possibilidade de enxergar essas ceninhas através dos olhos do próprio Snake. São muito interessantes, sem falar que as vezes revelam segredos MUITO importantes). Sem falar que o jogo tem algumas surpresas incríveis para quem jogou os outros jogos da série, ainda que não seja necessário ter jogado seus antecessores para que a história de MGS3 deixe você maravilhado. Um pouco diferente dos outros jogos, essa história acaba, tem um final amarrado e completo, deixando de responder poucas perguntas.

Um dos pontos mais característicos do jogo é seu senso de humor. A história é muito séria, pesada até, tocando de maneira forte em temas como dever, patriotismo, sexualidade, morte, mas mesmo assim não desperdiça chances para fazer o jogador rolar de rir, especialmente nos diálogos por rádio com seus colegas, com referências a filmes, piadas sobre o próprio protagonista, entre outros. Diversas piadas estão escondidas, mini games secretos, brincadeiras com as situações, zoeira com outros personagens da série (incluindo uma notória tiração de sarro com Rayden).

:: Jogando contra os elementos e os russos!

A jogabilidade é bem parecida com a dos outros jogos. Tiros, corrida, escalar, abaixar… As diferenças principais estão em seu relacionamento com o ambiente. Para começar, foi implementado um impressionante sistema de camuflagem. No menu do “pause” você pode escolher trocar de roupa e de pintura facial para melhor se esconder onde estiver, no meio do mato, em uma área rochosa, ambiente urbano dentro de uma base, embaixo d’água… Ás vezes até você perde Snake de vista. No canto superior da tela há sempre um marcador de porcentagem, mostrando quão escondido está Snake, indicando a probabilidade de ser visto por algum soldado.

O Major Zero é bem direto quando lhe comunica isso: você é uma cobra nua. Está sozinho, no meio da selva da Ásia central, com pouco armamento e nenhuma comida. E vai ter que ralar pra não morrer nas mãos do cansaço, dos soldados inimigos ou da própria floresta. Junto com a barra de energia comum está uma barra de Stamina. É seu medidor de cansaço. Carregar muito peso e realizar tarefas de esforço físico acabam drenando Snake. Para recuperar sua stamina, você precisará se alimentar devidamente. E a comida estará a sua volta, o tempo todo! Você terá que capturar animais, vivos ou mortos, coletar frutas, roubar alimento dos soldados, tudo para conseguir ficar vivo. E há um balanço entre nutrição e gosto da comida, sem falar que se você comer algo venenoso, ficará envenenado, da mesma maneira que se comer algo estragado, terá dores no estômago.

Mas esses não são os maiores males que atingirão Snake. Ossos quebrados, balas presas, cortes profundos… Cada vez que Snake é ferido de maneira grave, você terá que curá-lo. Para isso, você conta com um arsenal de utensílios médicos, que não devem ser usados desnecessariamente, pois não são infinitos. Usar uma faca para tirar uma bala da perna, suturar um corte, imobilizar um osso quebrado, você terá as mãos cheias quando se ferir. Mesmo que seus tratamentos sempre surtam efeitos imediatos, mesmo no caso de consertar ossos, ainda assim traz um ar de realidade aos sempre intensos ferimentos que personagens de games sofrem, sem demonstrar dano.

Mesmo sendo um jogo que tem várias partes de ação intensa, é um game de stealth (camuflagem). Você é um espião, e não o Rambo. Você terá que se esconder muito, e assim como seu apelido denota, rastejar muito. Matar escondido, esconder o corpo. Há maneiras de agarrar soldados e extrair informações interessantes, também como você pode ameaçá-los por itens, ou simplesmente cortar a garganta deles. Você não tem aquele bendito radarzinho que mostra a posição dos inimigos, então terá que se satisfazer com seus próprios olhos e ouvidos (com adicionais bacanas, como um microfone de distâncias, binóculos, visor de infra-vermelho, etc). Mesmo fazendo com que o jogo seja mais demorado, obrigando-o a procurar seus inimigos sem qualquer tipo de ajuda, isso só adiciona realismo ao jogo, tornando-o realmente tenso às vezes, o que simplesmente melhora a experiência.

:: A Floresta Vive

Os gráficos estão tinindo. Muitas vezes você vai olhar pro céu, por entre as árvores, e vai pensar “Isso é de verdade”. Os animais, as pessoas, cenários, tudo está muito bem animado, muito bem construído, gráficos polidos e deslumbrantes. As animações faciais durante as ceninhas são embasbacantes. Expressões faciais realistas, não “péssimas desculpas”. O trabalho de motion capturing foi muito bem realizado. Lutas corpo a corpo, dentro e fora das ceninhas, se mostram muito realistas, sem falar dos efeitos de luz e sombras.

:: A Floresta Canta

Os sons não ficam atrás. Bem editados e realistas, explosões e tiroteios estão à altura de qualquer filme de ação por aí.

A música é um destaque. O a canção de introdução é daquelas músicas que fica na cabeça, e encaixa perfeitamente com o tema e o clima do jogo. A música que acompanha o jogo todo também é um dos fortes contribuintes para o clima, e não deixa ninguém desapontado.

Um ponto muito importante são as vozes. Todos os diálogos são gravados, sendo que tudo que tem texto nesse jogo tem voz. Não há nenhum personagem que não fale nada. Para todos há uma voz que se encaixa bem com o perfil de seu personagem. Exceto pelo protagonista, e aí está o maior defeito (senão o único) do jogo.

A voz que você mais vai ouvir durante o jogo todo é a de Snake. E logo a voz dele é a que está pior. Não que esteja muito ruim, mas está um tanto falsa. Parece um narrador de trailers de filmes americanos. É uma voz um tanto forçada, não chega à altura do carisma do personagem. É algo que não dá pra se acostumar, sempre incomoda um pouco.

:: A Floresta Descansa

Por fim, esse jogo foi feito com extremos cuidados, pesquisa militar, mesmo tendo traços inconfundíveis de games “arcade”, consegue ser um jogo bem realista e intrigante. A trama, aliada à veracidade dos personagens, à ação, à tensão, à temática, ao humor, às diversas jóias de linguagem visual/verbal, dignas do mais ambicioso cineasta, tornam “Metal Gear Solid 3: Snake Eater” um jogo incrível e imperdível. Recontando a história da Guerra Fria, e criando mais uma daquelas sagas que pode se tornar amada e adorada por inúmeros fãs, assim como alguns anímes, esse jogo deixa um marco profundo.

E saber dos recentes rumores de que o responsável por tudo isso, Hideo Kojima, ter vontade de levar tudo pras telonas simplesmente deixa um fã com os cabelos em pé de ansiedade. Vamos esperar que os executivos de cinema não estraguem a beleza dessa lenda. Vamos esperar que deixem tudo nas mãos do Japão! Afinal, como diz o próprio Snake, “Esse lugar está parecendo melhor cada vez mais”.

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