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Artigo adicionado em 04/09/2004, às 04:33

Crítica: A VILA
O primeiro fracasso de Shyamalan? E um desabafo… Vá assistir A Vila, do fantástico M. Night Shyamalan. Se é bom? É bom. Muito bom. Ótimo como os anteriores O Sexto Sentido, Corpo Fechado e Sinais, não é. E qualquer trabalho do diretor indiano, naturalizado americano, fã de Alfred Hitchcock, está longe, muuuuuuuuito longe de ser […]

Por
Paulo "Fanboy" Martini


Vá assistir A Vila, do fantástico M. Night Shyamalan. Se é bom? É bom. Muito bom. Ótimo como os anteriores O Sexto Sentido, Corpo Fechado e Sinais, não é. E qualquer trabalho do diretor indiano, naturalizado americano, fã de Alfred Hitchcock, está longe, muuuuuuuuito longe de ser ruim.

Eu entendo, de uma certa maneira, o porquê de tantas críticas ruins. O que quero dizer é que, ao sair da sessão, entendi porquê muitos não irão conseguir engolir a trama em que o povo de uma vila que vive sob a ameaça de criaturas desconhecidas que vivem na floresta que cerca as casas. Sim, o final surpreendente continua lá. E vai pegar muita gente de surpresa. E muitos, mas muitos não irão gostar.

Então, o filme não é ótimo, nem péssimo. O que aconteceu, então?

Primeiro, quero deixar claro que ver cinema com adolescentes falando merda e arrotando do seu lado avacalha a vida de qualquer um. Ainda mais em um filme do Shyamalan, onde você tem que entrar na trama, se envolver com os personagens e com o clima sombrio da história. Cacete, pagar R$ 5,00 para não ver o filme e ainda não deixar os outros em volta assistirem? Ninguém merece… E eu entendo quando a pessoa vibra, chora e se assusta COM o filme. Eu sou assim (o pessoal aqui d´A ARCA, quando vão ao cinema comigo, têm que aturar minhas risadas, meus gritos e meus pulos). E acho que todos deveriam fazer isso: cair de cabeça na história, no universo que se passa ali na telona. Agora, ficar ouvindo pivetada falando alto de assuntos que não tem nada a ver com o filme, aguentar barulho de chute na cadeira da frente e ainda chegar ao túmulo de, bem no final do filme, os pivetes começarem a arrotar… Preciso dizer mais alguma coisa?

Disse isso pois passei os 113 minutos do filme tentando me envolver com aqueles habitantes simples, que viviam à sombra da morte por seres praticamente desconhecidos… e os pentelhos não calavam a boca. Ossos do ofício.

Para tentar entender o porquê do filme não ter dado tão certo, terei que comparar “A Vila” com os outros filmes do diretor. Não se preocupem, não contarei absolutamente nada que estrague a história para aqueles que ainda não viram “Corpo Fechado”, “O Sexto Sentido” e “Sinais”, mas aqueles que já viram irão entender com mais clareza.

O início dos filmes de Shyamalan, diferente de muitos, são fortes e marcantes. O diretor não perde tempo em nenhuma de suas películas, mostrando logo de cara o clima e o fio condutor de toda a história, te jogando para dentro da trama. Com “Sexto Sentido” temos a sequência na casa de Malcom Crowe (Bruce Willis); em “Corpo Fechado”, a sequência do trem, desde a conversa de David Dunn (Willis) com a mulher até a saída dele com a família do hospital; e em “Sinais”, vemos os estranhos círculos no milharal do ex-pastor Graham Hess (Mel Gibson). Com “A Vila”, o início é tão cheio de cortes que, mesmo com a primeira sequência mostrando o temor do povo às árvores ao redor, é preciso apresentar tantos elementos depois que a coisa acaba perdendo o foco.

Outro detalhe muito importante é a quantidade de personagens no filme. Nos antecessores, Shyamalan lidava com no máximo quatro personagens principais, aqueles em que a trama se concentra: em “O Sexto Sentido”, há Malcom, Cole (Haley Joel Osment) principalmente, e vale citar a mãe do menino, Lynn Sear (Toni Collette); em “Corpo Fechado” o diretor tem Dunn e Elijah Price (Samuel L. Jackson), além do importante suporte da esposa de Dunn, Audrey (Robin Wright Penn), e do filho, Joseph (Spencer Treat Clark); em “Sinais”, Shyamalan continua com quatro personagens – Graham, Merrill (Joaquin Phoenix, que também está em “A Vila”), Morgan (Rory Culkin) e a pequena Bo (Abigail Breslin) – e todos tem tamanha importância na trama que seria impossível diminuir ou retirar algum deles da história. Em “A Vila”, há tantos personagens importantes que o tempo de tela de cada um diminui, e fica aquela sensação de que havia mais a ser falado sobre cada um deles. Qual o resultado disso? Não se cria aquela simpatia, aquela torcida como se criou para Dunn, para Cole ou mesmo para Graham nos outros filmes. Eu estava mais interessado em saber o que eram essas tais “criaturas” do que nos personagens em si.

Uma outra opinião que tenho é que, diferente dos outros filmes de M. Night Shyamalan, “A Vila” não teve todos os seus problemas de roteiro solucionados até o prazo final. A primeira meia-hora de filme é a maior prova disso. Mas a partir desses trinta minutos iniciais, se você ainda estiver tentando entrar no trama – e não tiver um bando de babaca te atormentando do lado – é impossível não sei deixar levar pela macabra história. Os atores estão ótimos, principalmente William Hurt como o ancião Edward Walker e a estreante Bryce Dallas Howard como a ceguinha Ivy Walker. Shyamalan trabalha soberbamente a câmera, com tomadas fenomenais e ótimas sacadas narrativas. Sem falar na mágica trilha de James Newton Howard, companheiro de Shyamalan desde “O Sexto Sentido”.

Para terminar, vou comentar – mas não contar – o surpreendente final. Acredito que desde “O Sexto Sentido” o público espera muito dos filmes do diretor indiano, e quando a gente gosta de algo, queremos muito mais daquilo. Shyamalan mostra que continua sendo um cineasta de primeira, errando e acertando, e deixando uma marca registrada na história do cinema. Há diversos elementos que se repetem em seus filmes: o extraordinário, a água (o elemento sempre tem alguma função nos filmes), e a cor vermelha (presente também em “A Vila”) são alguns exemplos. Mas o que o público sempre quer ver são as famosas viradas de trama, que ocorreram em três de seus quatro filmes – “Sinais” é o único que não contém uma virada na trama, mas o final é também tão surpreendente quanto. Aqui o diretor repete o esquema, espalhando diversas pistas minúsculas durante todo o filme, até chegar o final do filme e você se tocar do que realmente está havendo. Mas…

O problema é que muitos estão achando essa virada, essa revelação, nada crível. Acham forçada, impossível. Uma coisa eu digo: por mais impressionante que seja – e eu cheguei a imaginar algo assim, mas o decorrer do filme me levou a pensar em outras possibilidades – a virada não é algo tão pessoal, tão visceral quanto os atencessores. É diferente, uma idéia espetacular, muito bem montada e sacada. E que faz todo o sentido, mesmo alguns não gostando.

E eu saí do cinema achando que não conseguiria escrever muita coisa… olha só no que deu. E o pior é que, se eu tentar fazer mais alguma comparação, fornecer mais alguma dica, muitos vão querer me matar, e com razão. Bom, prá fechar, minha dica é: vale a pena. Analisem o filme, vejam mais de uma vez. Shyamalan pode ter dado uma leve escorregadinha, mas seu estilo e sua técnica continuam muito bem afinados. E mate qualquer um que ficar arrotando e fazendo escândalo no cinema. Qualquer coisa eu testemunho em seu favor. 🙂

Leia mais:
:: Zarko fala mais sobre quem é esse tal M. NIGHT SHYAMALAN

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