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A mais nova empreitada de John McTiernan, o diretor do clássico dos filmes de ação Duro de Matar, tinha tudo para dar certo – afinal, reunir novamente a afinada dupla Samuel L.Jackson (também conhecido como Mace Windu) e John Travolta, que tanto sucesso fez em Pulp Fiction – Tempo de Violência, só poderia dar um bom resultado, não é? Pois é: o problema é que não deu não. Violação de Conduta acaba sendo um thriller militar que faz jus ao seu nome original em inglês: básico.
Não é que o filme seja ruim. Mas… ele também está longe de ser bom. É mais uma daquelas tramas com ótimo potencial que nunca consegue chegar a ser nada mais do que mediana. O diretor bem que tenta, mas não consegue. Os bons momentos estão lá… mas os maus momentos também estão (e como estão!).
A bem da verdade, o que estraga é o excesso de clichês e referências diretas a outras películas do gênero – A Filha do General, estrelado pelo próprio Travolta, é um excelente exemplo de filme similar. Falta inovação, falta fugir do óbvio das conspirações militares onde ninguém é quem aparenta ser dentro de uma corporação corrupta, mas que conta com alguns heróis virtuosos dispostos a salvar o bom e velho espírito americano das nossas Forças Armadas. E tome blá-blá-blá. O final, por sinal, acaba sendo de um patriotismo bobo e infantilóide. Mas enfim…
Violação de Conduta fala sobre um estranho incidente envolvendo os soldados do pelotão do coronel West (Jackson), de uma base militar americana no Panamá. Homem rude, violento e grosseiro, ele coleciona desafetos por onde passa – especialmente entre seus comandados. Certo dia, durante um treinamento aparentemente rotineiro na selva, West e mais quatro soldados são mortos, restando apenas dois sobreviventes para contar a história: o relutante e assustado Dunbar (Brian Van Holt) e o provocativo e cínico Kendall (Giovanni Ribisi, em excelente interpretação), filho de um militar de alta patente. A dupla se recusa a comentar a história como um todo e tem versões desencontradas dos eventos. O que teria acontecido de verdade?
Para descobrir, a tenente Osborne (Connie Nielsen de Gladiador) é obrigada a trabalhar ao lado de Tom Hardy (Travolta), um ex-militar e atual policial da divisão de Narcóticos acusado de fazer negócios escusos com alguns traficantes. Dá pra confiar neste sujeito?
Outro grande problema do filme: McTiernan sofre da ‘síndrome dos excessos de viradas de trama’. É mais ou menos assim: a trama vai caminhando normalmente e então…A-HÁ, TUDO QUE VOCÊ SABIA ERA MENTIRA. A história caminha mais um pouco e então…A-HÁ, TUDO QUE VOCÊ SABIA ERA MENTIRA. E um pouco mais pra frente, vejam só…A-HÁ, TUDO QUE VOCÊ SABIA ERA MENTIRA. A coisa toda acaba enchendo um pouco o saco e tira a credibilidade do roteiro – especialmente na meia-hora final, quando você simplesmente já não acredita em mais nada, tornando a conclusão muito pouco crível. “Ué? Já acabou? Ah, vá, duvido que isso seja verdade, deve ter alguma coisa escondida por aí…”. Mas era. E sobem os créditos finais.
Resumindo: dá pra ver Violação de Conduta… se você não espera nada além do que você já viu em tantos outros filmes que seguem a mesma linha. Caso contrário, fique em casa e reveja o Homem-Aranha que é muito mais legal. Sem qualquer proteção, veja bem.
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