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Artigo adicionado em 23/10/2002, às 05:02

RON JEREMY
A ARCA celebra a história e a carreira de um dos mais infame estrela dos filmes pornôs americanos! Ron Jeremy, o nosso ídalo! Se você não me vier com aquele papinho furado de que nunca na sua vida assistiu a um filme pornô (conhecidos também como "filmes de sacanagem" ou "filmes de putaria"), com toda […]

Por
Thiago "El Cid" Cardim

Meu Deus, sentei no meu próprio pinto!

Ron Jeremy,
o nosso ídalo!

Se você não me vier com aquele papinho furado de que nunca na sua vida assistiu a um filme pornô (conhecidos também como "filmes de sacanagem" ou "filmes de putaria"), com toda a certeza você conhece este homem – nos dias de hoje, uma verdadeira lenda do cinema adulto americano. Ele é simplesmente a última pessoa em quem eu votaria para se tornar um astro do mundo pornográfico. O cara é baixinho, gordo, feio, quase careca – em resumo, não combina em nada com aqueles caras fortões que a gente vê estrelando filmes como estes, ao lado daquelas mulheres simplesmente maravilhosas (tipo a Sylvia Saint).

No entanto, mesmo assim, o homem conhecido como Ron Jeremy é um dos atores mais requisitados do ramo. Talvez seja porque ele é muito carismático – um sujeito tão simpático e engraçado que acaba fazendo a coisa toda parecer uma enorme curtição. Ou talvez seja porque ele tem um dos maiores dotes (entende o que eu quero dizer?) entre este tipo de atores, o que permite ao cara se dar ao luxo de chupar o próprio pinto no final de muitos de seus filmes. A-HÁ, eu sabia que você ia se lembrar dele! 🙂 Ron Jeremy Hyatt nasceu no dia 12 de março de 1953, em Long Island, NY. Quando criança, Jeremy sempre mostrou que tinha os dotes certos para entrar no showbusiness: adorava fazer os outros rirem, inventando histórias e piadas e reunindo toda a família na sala para as suas "apresentações" especiais. Era verdadeiramente o rei da casa. Na escola, era sempre o destaque das peças de teatro e apresentações para os pais.

As coisas mudaram um pouquinho quando, ainda criança, o gordinho teve de encarar a dura realidade de perder a mãe – cuja morte mudou profundamente a vida de Ron e de sua irmã. O menino cresceu cada vez mais engraçado, tentando encarar a vida com um bom-humor que, bem ali no fundo, onde quase ninguém podia chegar, ele mesmo tinha dificuldades de aceitar.
Na adolescência, ele se tornou o típico nerd que conhecemos: tinha dificuldade em se relacionar com o sexo oposto (por incrível que pareça…).

Quando finalmente começou a quebrar as barreiras com as mulheres, Ron sacou que era quase impossível manter um relacionamento estável, voltado ao romantismo. Ele só conseguia pensar em…sexo! Por mais que fosse meio óbvio que rumo este menino ia acabar seguindo, ele se formou (pasmem!) em pedagogia e chegou até a dar aulas numa escola do subúrbio nova-iorquino. Mas ele sabia o que queria: ser ator. Mais do que isso, na verdade: ser uma estrela!

Embora tenha feito uma pequena ponta, que nem consta nos créditos, no longa-metragem musical "Jesus Cristo Superstar", em 73, sua carreira só seguiu o rumo certo em 78 – quando uma namorada enviou, sem que ele soubesse, uma foto sua completamente pelado para a revista "Playgirl". Mas, ao invés de arrancar risos das leitoras da revista, a enorme…como direi…armadura (entendeu? entendeu?) de Jeremy arrancou foram suspiros – das moças e dos produtores de filmes pornôs. Acabou sendo convidado para participar de "Women in Love" (1979), sua primeira participação como ator de filmes adultos. A partir de então, o cara não parou mais. Abandonou sua carreira como professor e se tornou ídolo de boa parte dos adolescentes punheteiros para os quais ele dava aulas.

MAS…POR QUE DIABOS TAMANHO SUCESSO?

Acho que nem ele sabe responder. O fato é que o mundo dos filmes pornôs acabou sendo invadido por um cara alegre, divertido, simpático e que, por mais que não fosse nem de longe o arquétipo clássico do gostosão, tratava as mulheres com quem contracenava com a maior sutileza. Sempre sorridente, brincalhão, conseguia transformar, no set de filmagem, uma orgia numa grande brincadeira. E fazia complicadas cenas de sexo anal (pergunte para as meninas se isso não dói) transcorrerem naturalmente.

Acabou ficando amigo de tanta gente neste meio que muitas vezes as atrizes pediam aos diretores que ele participasse do filme. A fama não tardou a chegar: para os envolvidos na produção de filmes pornográficos, Ron Jeremy se tornou sinônimo de profissionalismo e, ao mesmo tempo, garantia de um excelente relacionamento com os atores (e, principalmente atrizes) do elenco. Para os fãs de filmes deste tipo, Jeremy era um ídolo: um gordinho esquisito que conseguia faturar as mulheres mais maravilhosas do universo da pornografia! A vitória do nerd estava ali, estampada nas capas de filmes que sempre terminavam com a expressão "anal".

Conquistando uma legião de adoradores ao redor do mundo, Jeremy acabou se transformando, indiscutivelmente, na maior estrela que a pornografia americana já tinha produzido. Aos 49 anos, o gordim já ultrapassou a barreira dos 600 filmes estrelados por ele (a lista completa você pode conferir aqui no IMDB). E já chegou a dirigir mais de 100 filmes também – pois é, ele acabou se enveredando para trás das câmeras também. Embora tenha experimentado uma produção caseira já em 73 ("Beauties and the Beast"), sua grande oportunidade apareceu em 83, depois de sua estréia como ator, quando dirigiu "The Casting Couch" – algo como "o teste do sofá".

Entre suas produções mais recentes está "Frankenpenis", de 1996 – uma sátira ao clássico de Mary Shelley estrelada por ninguém menos que John Bobbit, aquele sujeito cuja mulher cortou o bilau fora, mas teve o dito cujo reimplantado e acabou virando ator de filmes pornôs. Outro grande sucesso de Jeremy é "Sunset and Divine: The British Experience", também de 96. Nesta película mais do que clássica, ele reconta a história da prostituta que foi pega numa cena de sexo oral em plena Sunset Drive, em Hollywood, com ninguém menos que o ator inglês Hugh Grant. A protagonista do filme é a própria Divine Brown, iniciando sua incursão pelo mundo pornô. A melhor parte do filme é quando ela compara o tamanho dos bigulim’s de Ron Jeremy e Hugh Grant, tirando uma onda com o respectivo pênis do ex-maridão da Liz Hurley. Hilário! 🙂

Para reconhecer um dos filmes de Ron Jeremy é muito fácil. Primeiro de tudo, muito provavelmente ele não vai estar usando o verdadeiro nome, apelando para codinomes como Bill Blackman, David Elliot, Nicholas Pera ou Norm L. Pera. E em segundo lugar…muito provavelmente você vai acabar presenciando o próprio diretor numa cena de auto-felação – ou seja, ele vai se dobrar e, mesmo com o enorme barrigão, vai chupar o próprio pinto. Se você não tiver problemas de estômago, com certeza vai rir muito com aquilo! :-))))

E O SUCESSO DE RON JEREMY…VAI ALÉM!

Mesmo se transformando num verdadeiro superstar do cinema pornô, Jeremy queria ir além, quebrando a barreira do cinema tradicional e se tornando também um ator de filmes "normais". Tudo bem, ele pode não ter sido exatamente bem-sucedido na empreitada: chegou a fazer pontas em um ou outro filme, tipo "Detroit Rock City" (de 99, com Edward Furlong) e o divertidíssimo "Orgazmo" (de 97, com Trey Parker e Matt Stone, criadores do South Park). Mas acabou percebendo que, mesmo fora do cinema pornô, era considerado uma lenda, um tipo meio folclórico que valeria boas risadas em qualquer papel, por menor que fosse. Chegou a ser um cameraman no seriado "Just Shoot Me" (episódio "The Proposal: Part 2") e até um sujeito lendo ali no fundo da biblioteca, num dos episódios de "NewsRadio" (episódio "Super Karate Monkey Death Car").

No entanto, suas duas mais importantes participações na indústria hollywoodiana estiveram diretamente relacionadas ao que ele sabe fazer melhor: sexo. O cara é considerado tão importante no cinema pornô que acabou trabalhando como consultor em "Boogie Nights" (com Mark Wahlberg e Juliane Moore) e no clássico "Nove e Meia Semanas de Amor", com Kim Bassinger e o trash Mickey Rourke.

Um divertido episódio envolvendo os caras do *N Sync é a prova mais viva do status de Jeremy. Os cinco rapazes, sempre que estão em turnê, hospedam-se usando pseudônimos, para evitar o assédio das fãs em seu momento de maior privacidade. O gordinho Chris Kirkpatrick (o mais feio dos cinco) costuma usar o codinome de…Ron Jeremy. Certo dia, quando chegaram a um hotel e foram se registrar, e o Chris deu o mesmo nome de sempre, eis que a atendente responde: "Mas já temos um Ron Jeremy hospedado aqui". Os moleques piraram! Descobriram em que quarto ele estava e, dando uma de tietes na cara dura, chegaram para pedir autógrafos e tirar fotos. Simplesmente demais!

Oh Meu Deus, todas estas mulheres querem dar pra mim!

Jeremy no pôster do documentário

PORN STAR: THE LEGEND OF RON JEREMY

Pois é: o sucesso do cara é tamanho que, em 2001, o diretor Scott J. Gill conseguiu um orçamento até razoável e filmou o documentário "Pornstar: The Legend of Ron Jeremy". É uma verdadeira viagem pelo universo de Ron Jeremy, mostrando quem são seus fãs, a dimensão de seu sucesso, como é seu dia-a-dia e quem é sua família. Na verdade, ele acaba mostrando que o universo dos filmes adultos não é assim tão glamouroso e espetacular, mas uma coisa permeia todo o documentário: a diversão.

Boa parte das críticas americanas se refere ao filme como "hilariante", especialmente no que diz respeito ao seu pai – um velhinho bastante simpático que diz ter muito orgulho do filho. Na verdade, parece que ele leva a coisa tão na brincadeira quando seu rebento, "um rapaz com um dote do qual me orgulho muito", diz ele. A crítica que a Penthouse fez do filme é a síntese ideal da coisa: trata-se da grande ironia da vida de Ron Jeremy. Afinal, finalmente ele é a estrela de um filme do mainstream…e é tudo exatamente sobre o fato de que ele nunca vai ser a estrela de um filme do mainstream. Por mais que ele tente, Ron Jeremy será para sempre lembrado como o maior nome do pornô americano. E ponto final.

De qualquer maneira, vai aí pra você baixar o trailer do filme:

>> Trailer de PORN STAR: THE LEGEND OF RON JEREMY
— Formato: .MOV (Quicktime)

Para finalizar, deixo no ar a frase de um amigo meu: "Vamos ser sinceros: você quer realmente que eu tenha pena de um cara que já comeu mais de 2000 mulheres, entre elas deusas como Amber Lynn e a saudosa Savannah? E pior: que ainda é muito bem pago para isso? Eu tenho pena é de mim, isso sim!".


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