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Artigo adicionado em 15/10/2002, às 03:52

QUADRINHOS BABILÔNICOS
O cultuado criador do seriado Babylon 5 dá vida a uma nova geração de heróis na Top Cow A trupe do Rising Stars, do Straczynski Eu sou obrigado a admitir: não gosto de Babylon 5. Pra mim, é mais um seriado mala sobre ficção científica, que segue um pouco a linha do Star Trek (Jornada […]

Por
Thiago "El Cid" Cardim

Hã, daria pra alguém avisar os caras que está pegando fogo ali atrás?

A trupe do Rising Stars, do Straczynski

Eu sou obrigado a admitir: não gosto de Babylon 5. Pra mim, é mais um seriado mala sobre ficção científica, que segue um pouco a linha do Star Trek (Jornada nas Estrelas): uma tripulação bizarra, com personagens cheios de peculiaridades esquisitas e que ficam discutindo física quântica durante meia-hora na sala do capitão. Isso me lembra perfeitamente o exemplo clássico do jogo de xadrez: é divertíssimo para os que jogam e para os iniciados e fanáticos, mas um porre pra quem está assistindo e quer, pelo menos, tentar entender. Posso estar decepcionando muita gente dizendo um treco destes, mas é a pura verdade – fazer o quê?

Como sempre, vocês devem estar se perguntando: "Hã? Do que ele está falando? Essa não era a seção de quadrinhos? Do que porra esse maluco do El Cid tá reclamando?". Esta ainda é a seção de quadrinhos, e essa introdução serviu para dizer que, embora eu não goste de Babylon 5, sou obrigado a admitir que os roteiros do seriado são muito bons, mesmo que eu não goste da dinâmica do mesmo. E estes roteiros são trabalho de um cidadão que lançou uma excelente série de quadrinhos pela Top Cow (aquela, do Marc Silvestri), chamada "Rising Stars". O dito cujo é ninguém menos que J. Michael Straczynski, que promete ser um novo Kevin Smith para os fãs mais fanáticos. Viram só onde eu queria chegar com aquele rapapé todo? 🙂

A história – Em 1969, no ano em que o homem chegou a Lua, uma estranha rajada de luz ilumina os céus da pequena e pacata cidade de Pederson, encrustada no meio-oeste do estado de Illinois.A misteriosa luz, tal qual como no mal-fadado universo do Estigma, da Marvel Comics (quem lembra disso?), anuncia a chegada dos "Specials": um eclético e diverso grupo de 113 indíviduos, agraciados com poderes e habilidades além das que nós mortais possuímos e compreendemos (Nota do El Cid: Falem por si mesmos, pois El Cid está acima de quaisquer mortais!). Daí, vem o nome do título: Rising Stars – na nossa língua tupiniquim, ”estrelas ascendentes, que surgem”.

Um dos maiores destaques do roteiro de Straczynski é mostrar a ascensão e queda de seres super-poderosos num mundo que, até então, simplesmente não os conhecia. É isso mesmo: no universo de "Rising Stars", não existiam super-heróis até o surgimento dos "Specials". Agora, fala sério: não ter que se preocupar com outros super-heróis contemporâneos (evitando irritantes crossovers com personagens de outras linhas da mesma editora) ou mesmo com grandes mitos do passado dá ou não uma puta liberdade criativa? Ô se dá! 🙂

A la Alan Moore na conceituada "Watchmen", o também barbudo (guardadas as devidas proporções, óbvio) Straczynski redefine o conceito do que seria um super-herói, um ser vestido em roupas colantes coloridas ou um homem honrado e cheio de princípios, e como eles afetariam o mundo real se existissem de verdade.

Os principais personagens – Primeiramente, temos o poderoso Matthew Bright: forte que só o diabo, praticamente invulnerável e com o clássico poder de vôo. O que faz de Matt um personagem tão bacana é seu idealismo: o cara acha que tem que fazer o que é correto e acabou, sem precisar de fama ou fãs histéricas gritando seu nome. Por isso, além de abolir a necessidade de um uniforme espalhafatoso e uma capa, substituindo-os por um uniforme policial sem máscaras, o cidadão esquece até esse papo de codinome, preferindo ser chamado pelo seu próprio nome.

Já a deliciosa Elizabeth Chandra é a típica pessoa que usa seus super-poderes em benefício próprio. Ela exala uma poderosa mistura de ferormônios, que acaba afetando homens e mulheres indistintamente, tornando-a sedutora e atraente ao extremo. É quase algo como o poder de charme inerente do x-man francês Gambit – mesmo que esta habilidade tenha sido esquecida pelos roteiristas anos mais tarde. (Nota do El Cid: Dizem por aí que eu também tenho poderes do gênero, mas acho que é porque eu sou gostoso mesmo).

Em se falando dos X-Men, outro dos personagens mais interessantes de "Rising Stars" lembra bastante a doce heroína sulista Vampira: Peter Dawson. Uma poderosa energia que corre ao redor de seu corpo torna o tiozão totalmente invulnerável, mas em compensação o impede de sentir algo tão sublime como o toque de outro ser humano (viu só a semelhança?). Seu sofrimento acaba sendo compensado apenas pela única sensação que ele realmente preza e consegue sentir com prazer: o paladar. Por isso, o cara acabou ficando viciado em comer! 😛

Quem foi o desgraçado que roubou minha Nhá Benta??????

O patriótico Flagg

No entanto, os dois personagens mais marcantes da série (na minha modesta e sensacional opinião) são o ultra-patriota Flagg e o misterioso Poet. O bandeiroso Flagg, na verdade Jason Miller, uma ex-estrela de futebol americano na universidade, é o típico patriota cego e cretino, que acredita no "american way of life" até o último fio de cabelo. Muito mais forte e resistente do que um ser humano comum, a visão Straczynski do Capitão América acabou se tornando, como era de se esperar, uma estrela – e me desculpem sinceramente pelo trocadilho.

Por outro lado, Poet, cujo verdadeiro nome é desconhecido, é sensível e tímido por natureza. É aquele cara gente boa, em quem todo mundo confia e a quem todos recorrem para pedir conselhos e contar seus segredos mais íntimos. No entanto, quando tomado por seus poderes, o cara se transforma, e se torna uma das criaturas mais violentas da face da Terra! Tenha medo, muito medo! (todos os direitos reservados).

O futuro – O sucesso do novo título foi tão grande e o retorno dos fãs, tão positivo, que o próprio Marc Silvestri, todo-poderoso dono da Top Cow, deu nova carta branca para o sr. Straczynski: nos próximos meses, estréia na editora o selo Joe’s Comics, apenas com quadrinhos de autoria de Straczynski – ou você achou que o "J" era de Jay? 😛

É esperar pra ver o que ele ainda pode nos trazer de criativo e diferente – nesse entediante universo de quadrinhos de super-heróis todos iguais e sem um mínimo de cérebro! :))) Que o diga o Rob Liefeld – mas esse eu nem vou comentar…

Ah, e quer saber? Nem sempre eu preciso me sair com um chiste engraçadinho. O e-mail é elcid@a-arca.com e pronto.


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