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Artigo adicionado em 22/10/2002, às 04:01

O NEIL GAIMAN…É COISA NOSSA!
Em rápida passagem pelo Brasil, o autor conquista os fãs com sua simpatia El Cid e o simpático Neil Gaiman Responda sem pensar o que vem a sua mente quando eu digo "escritor inglês"! Talvez um daqueles clássicos eruditos, um velho ranzinza com o óculos na ponta do nariz e uma citação dos antigos clássicos […]

Por
Thiago "El Cid" Cardim

Os caras de igual para igual!

El Cid e o simpático Neil Gaiman

Responda sem pensar o que vem a sua mente quando eu digo "escritor inglês"! Talvez um daqueles clássicos eruditos, um velho ranzinza com o óculos na ponta do nariz e uma citação dos antigos clássicos na ponta na língua, pronto para massacrar a "maldita cultura pop americana"? Pois bem: esqueça tudo isso. O escritor inglês que esteve entre nós há algumas semanas é o principal responsável pelo surgimento de uma nova geração de quadrinistas (e, por que não dizer, de fãs de quadrinhos), mais maduros e com muito mais elementos da literatura convencional. Ele é o criador do senhor dos sonhos, Morpheus, o nosso bom e velho Sandman, e também de todo o seu fantástico e mitológico universo onírico. Um gênio…e ponto final.

No entanto, tanta genialidade não fez do britânico Neil Gaiman um homem arrogante, como muitos esperavam ver em sua segunda passagem pelo Brasil. Muito pelo contrário: tanto na Bienal do Livro do Rio de Janeiro quanto na noite de autógrafos promovida pela livraria paulistana FNAC ele se mostrou gentil, educado, bem-humorado…e especialmente paciente com as filas monstruosas de fãs que se formavam à sua frente. O simpático escritor esteve no Brasil a convite da Conrad Editora para divulgar dois livros seus que saem quase simultaneamente no Brasil: Sandman – Os Caçadores de Sonhos e a coletânea de contos O Livro dos Sonhos, editada por ele e que traz vários escritores da literatura convencional escrevendo histórias sobre o mundo de Sandman.

A minha experiência com o cara, na verdade, não foi tão próxima quanto eu gostaria que tivesse sido. Como vocês podem ver, tiramos uma foto juntos e tudo mais…mas foi depois de muito custo. Afinal, o que vocês esperavam? Que a gente tivesse feito uma entrevista exclusiva com ele? Ora bolas, eu e o Fanboy ainda somos remelas, não estamos tão cheios de contatos quanto gostaríamos. Aí, como nerds comuns e corriqueiros, nos juntamos ao pessoal que encarou mais de cinco horas de fila lá na FNAC para conseguir um autógrafo do dito cujo. Exatamente: chegamos lá às 18h30 e só saímos às 22h30. Como passamos o tempo? Well, ficamos fazendo piada o tempo todo (que básico), tirando sarro de tudo e todos e prometendo levar um livro do "Harry Potter" pro cara assinar dizendo que se tratava de "Livros da Magia" (o Potter é magrelo e usa óculos, até lembra o Tim Hunter, vá!). Me lembro de ter folheado uns quinze livros diferentes, pelo menos.

Tenha inveja!

Autográfo de Gaiman para o bom e velho El Cid

Me surpreendeu a quantidade de gente que passou por ali: mais de 1.500, segundo sondagens que fizemos com alguns organizadores. E, depois que fomos embora, ainda tinha uma fila de mais de 200 cidadãos esperando pela assinatura do Gaiman. Chegou uma hora que fecharam a porta da livraria e deixaram uma galera do lado de fora, simplesmente porque não cabia mais gente (e depois ainda dizem que quadrinho não dá certo no Brasil…). Tudo isso é, na verdade, só um preâmbulo para mostrar o quão gente fina este inglês malucão é. Ele chegou na livraria por volta das 17h e, depois disso, só parava de assinar o próprio nome para ir ao banheiro!!!! Coisa pra deixar qualquer um COMPLETAMENTE zureta!

Mesmo assim, fazia questão de atender um a um, conversar, cumprimentar, tirar fotos e ainda apresentar alguns trechos de seu inédito livro American Gods, que deve sair agora em julho nos States. Como ele mesmo fez questão de ressaltar, uma mera sessão de autógrafos é coisa de "estrela de Hollywood", sem qualquer contato mais íntimo (opa!) com o público. Então, ele preferia ler um pouco do seu trabalho para o povão. E cada vez que ele lia um trecho da obra, por mais que falasse em inglês, era aplaudido entusiasticamente. Ah, mas se você prestar bastante atenção ao autógrafo que ele fez para mim, vai perceber que ele escreveu "BONS SONHOS". Sinal de que já aprendeu alguma coisa que não palavrões na nossa língua pátria.

Depois de ver a imagem abatida e cansada de Gaiman sendo amigável e cordial com cada um dos fãs, passei a respeitar o cara não só como puta escritor que ele já provou ser, mas também como ser humano exemplar. Que fique o exemplo para tantos quadrinistas brasileiros que não são nem a mosca do cocô do cavalo do bandido perto dele e mesmo assim pagam um sapo de estrelinhas.

PS1: Se você ficou curioso para saber mais sobre American Gods, basta apontar o seu browser direto para www.americangods.com. Lá, Gaiman publicou, na íntegra, o primeiro capítulo do livro. Vá correndo dar uma olhada! Mas eu nem preciso avisar que está em inglês, né?

PS2: O Fanboy chegou a três conclusões quando deu de cara com o Gaiman. A primeira é que o cara é pançudo ("ele tem uma barriguinha de cerveja", disse Fanboy, que também é dono de uma senhora pança). A segunda é que não existe pente na Inglaterra (isso é verdade: parecia que um furacão tinha passado pelo cabelo do tio). E a terceira…é que eu sou um grande filho-da-puta. Tudo porque acabou o filme da máquina justamente quando chegou a vez do Fanboy tirar foto com o Gaiman. Sorry, dude, mas eu avisei que não sabia quantas fotos ainda restavam!!!!!

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