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Muito provavelmente você só reconheça o nome "Howard Chaykin" como sendo o do autor de títulos como "American Flagg" ou "Grimjack". Os fanáticos por televisão vão associá-lo ainda ao seu trabalho de produção executiva na série do herói velocista Flash, com John Wesley Shipp. No entanto, existe uma parte do extenso currículo deste versátil roteirista e desenhista que os tradicionalistas americanos preferem esquecer. Trata-se de uma polêmica mini-série que atende pelo nome de…Black Kiss. Perseguida e algumas vezes proibida neste ou naquele ponto de venda nos EUA (e queimada em alguns países europeus), a série estrelada pelas loiríssimas Dagmar e Beverly é um clássico do quadrinho independente, publicada na década de 80 pela obscura Vortex Comics. Aqui no Brasil, as quatro edições saíram pela também obscura Toviassu Produções Artísticas – editora dirigida por alguns dos caras que mais tarde formariam a trupe do Casseta & Planeta e que publicava o jornal humorístico "Casseta Popular".
O próprio Chaykin se refere a "Black Kiss" como uma história de terror-erótico ambientada num clima de romance noir. "Por razões óbvias, Black Kiss é algo que nem a Marvel e nem a DC teriam publicado, sob nenhuma circunstância", disse o autor, que escreve e desenha sozinho a série em preto e branco. Os conservadores tinham todos os motivos para odiar "Black Kiss", já que se tratava de uma história profana, que falava e mostrava cenas de sexo abertamente, aproveitando ainda para cutucar a religião numa trama repleta de personagens politicamente incorretos. Pra ser sincero, isso é pouco para descrevê-los: na verdade, são todos mal-educados, violentos e totalmente imorais. Nem mesmo o "músico" e ex-alcóolatra Cass Pollack, que poderia ser considerado algo como o herói da história, escapa da descrição.
Curioso para saber sobre a história, não? Pois bem: "Black Kiss" mostra a reviravolta na vida de Pollack, viciado que acabou arrumando problemas demais nos dois lados da lei e agora é duplamente caçado por sua dívida: policiais corruptos e capos do crime organizado estão unidos em busca do homem. Depois de uma armadilha que o acaba incriminando pelo assassinato de sua esposa e da filha de três anos, Pollack acaba cruzando o caminho das estonteantes Dag e Bev, duas gatas que se orgulham em ser devoradoras de homens que usam seus corpos para conseguirem tudo que querem.
A dupla também tem um problema: uma fita incriminadora acabou nas mãos de uma chantagista, que veio cobrar um dívida do passado…e que pode trazer à tona uma história que a imprensa adoraria, sobre orgias de milionários e seitas satânicas. Depois de uma trepada a três (quando Pollack descobre o segredo mais bem-guardado da trama), o "músico" entra em acordo com as deliciosas garotas: vai encontrar a fita para elas. Em retribuição, a mundialmente famosa atriz Beverly Grove vai depor em seu favor – afinal, a moça passou a noite do crime "chupando" nosso simpático Pollack mesmo…
É isso mesmo: chupando. Por sinal, Chaykin não poupa pimenta nos diálogos e nas fortíssimas cenas eróticas da revista. O sexo é explícito, na cara, sem frescura. Você vai literalmente ser surpreendido a cada diálogo, a cada quadrinho, a cada trepada…e olha que não são poucas. Só pra te deixar com água na boca, vai aí a divertidíssima mensagem da secretária eletrônica de Dagmar:
"Alô, amor, aqui é a Dagmar…eu adoraria chupar o seu pau…e também falar com você, mas não posso atender, porque estou mostrando a um cara sortudo o que um metro e setenta e outros centímetros de tesão de uma loura natural podem fazer… Tenho pernas longas e olhos azuis, fome de sexo e só penso nos seus dedos percorrendo minhas pregas…me bolinando do jeito que você sabe que eu gosto… O doutor Passe-Bem me colocou numa dieta rigorosa de apenas um copo de porra por dia…e ando com muita sede. Portanto, por favor, deixe o seu telefone que ligo assim que puder…E não se esqueça de mim…Dagmar, a garota com aquele algo a mais…agora, espere o bip…"
Se interessou? Voe agora mesmo a um sebo mais perto de você. Se der sorte, pode achar um exemplar em perfeito estado… Ou quem sabe vale mandar uns e-mails pros caras do Casseta & Planeta perguntando como fazer para conseguir os quatro números da série…
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