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Vencedor do Bram Stoker Award em 99 como "Melhor História em Quadrinhos, Graphic Novel ou outra narrativa ilustrada". Também vencedor, já no ano 2000, do Eisner Award (uma das premiações mais importantes do mundo das HQs) como "Melhor Livro Relacionado com Quadrinhos". Na verdade, a edição especial "Sandman: The Dream Hunters", nem precisava de uma introdução como estas. Afinal, é uma luxuosa comemoração em homenagem aos dez anos do personagem, escrita por ninguém menos que Neil Gaiman, o britânico que é atualmente um dos mais consagrados nomes do mundo dos quadrinhos. Só isso já seria suficiente garantia de qualidade. Mas e se eu contar que a arte é do sensacional Yoshitaka Amano, artista japonês responsável por nada menos que o mangá "Vampire Hunter D" e a série de jogos "Final Fantasy" (sim, você pode babar agora). Com o nome de "Sandman: Os Caçadores de Sonhos", este gibi finalmente chega ao Brasil, em formato americano pela Conrad Livros (que deixou o preço um tantinho salgado: R$ 49,00).
É bem verdade que esta obra dificilmente seria enquadrada como "história em quadrinhos" já que (vejam só) não é contada em quadrinhos. Gaiman escreveu o roteiro como uma lenda contada em prosa, uma espécie de livro ilustrado. Esta foi, na verdade, uma exigência de Amano: os desenhos não poderiam seguir o padrão típico dos gibis que conhecemos, já que ele não gostava de trabalhar com este tipo de narrativa. Estrelismos à parte, Gaiman queria porque queria o cara desenhando e acabou topando. Pra quem conhece a narrativa do autor inglês, no entanto, sabe que não deve ter sido uma tarefa assim tão complicada, já que o cara tem um estilo completamente literário de escrever.
Foi o próprio Amano que, indiretamente, inspirou Gaiman a escrever a história. O britânico doidão já estava imerso no riquíssimo mundo das artes e da mitologia japonesa desde que teve que fazer a tradução do anime "Princess Mononoke", de Hayao Miyazaki, para o cinema americano. Quando se deparou com um antigo conto de fadas japonês chamado "A Raposa, o Monge e o Mikado dos Sonhos de Toda a Noite", Gaiman caiu pra trás. O cara conta que pirou com as inúmeras semelhanças que encontrou entre a história e os gibis de Sandman. Convidado pela DC Comics para escrever a edição de aniversário de Morpheus, Gaiman bateu os olhos num pôster que Amano desenhou para o personagem. Não deu outra: na mesma hora, ele pensou numa história inspirada pelo conto de fadas do qual gostou tanto e com o traço do artista oriental.
A história
"Sandman: Os Caçadores de Sonhos" é uma fábula clássica que, como nas obras dos Irmãos Grimm, é centrada num mundo onírico onde os animais falam. Tudo começa com uma aposta entre dois animais ambiciosos e egoístas: uma raposa e um lobo selvagem. As duas criaturas queriam saber quem conseguiria tirar um jovem monge de seu solitário templo na floresta. O vencedor transformaria o templo na casa do outro. Para conseguir seu intento (e uma nova residência), a raposa assume a forma de uma mulher…que mais tarde acaba se apaixonando pelo monge.
No entanto, na distante cidade de Kyoto, o riquíssimo Mestre do Yin-Yang (as duas forças opostas que formam o mundo), um feiticeiro conhecido somente como onmyoji, era atormentada por seus medos interiores e procurava tranquilidade. Tranquilidade que ele acabou descobrindo na vida daquele mesmo jovem da floresta. Então, nosso terrível mago acaba enviando demônios para infernizar os sonhos do monge e trazer sua paz para o onmyoji. É óbvio que é a raposa transfigurada em mulher que descobre os demônios e resolve lutar pelo homem que ama.
Dá pra sacar que Sandman não é o personagem principal da história. Na verdade, o imaturo e egocêntrico Mestre dos Sonhos só aparece em determinados momentos da trama, em geral os mais decisivos. Desaparecido durante dez anos, Morpheus está inteiraço, parece muito bem nas deliciosas pinturas de Amano. Vale conferir, nem que seja pegando o livro emprestado (a forma mais econômica de driblar os quase cinquenta reais que você teria de desembolsar).
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