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A notícia pegou a todos de surpresa. Sim, nós sabíamos que o estado do desenhista John Buscema, consagrado por seu trabalho em "A Selvagem Espada de Conan", era grave. No entanto, cada um de nós que alguma vez já se encantou com o traço de Buscema nas mais clássicas histórias do bárbaro cimério, tinha uma pontinha de esperança. Mas Deus quis levar mais este gênio dos quadrinhos para perto de si: na última quinta-feira, dia 10 de janeiro de 2002, um câncer incurável no estômago levou Buscema de nós… 🙁
Stan Lee afirmou que, se o artista italiano Michelangelo tivesse sido eleito para desenhar com lápis e papel, seu estilo seria similar ao de John Buscema. “Mas, mais do que um ilustrador soberbo, John era um brilhante storyteller. Relembrando todas as tiras que fizemos juntos, me dou conta que tudo que tinha que fazer era dar um breve resumo do que eu queria visualmente…e as histórias pareciam escrever a si mesmas no papel. Felizmente, o legado de sua arte vai maravilhar muitas gerações de leitores no futuro”.
Já o atual editor-chefe da Marvel Comics, Joe Quesada, afirmou: “Lembro como eu, na época um jovem leitor de quadrinhos, era cativado pelo poder da arte de John Buscema. Eu estava admirando alguma coisa criada por um artista cujas habilidades estavam muito acima da dos seus contemporâneos”. Quesada conta ainda que, há cerca de três anos, conheceu Buscema nos escritórios da Marvel. “Ele tinha uma presença tão poderosa pessoalmente quanto seu trabalho na página impressa. Nós todos vamos sentir sua falta”. Tenha certeza disso, Quesada.
Uma batalha pela vida
Há cerca de cinco meses, um comunicado oficial divulgado por Gene Colan, outro artista das antigas da Marvel, revelava que a situação de Buscema era ainda pior do que se imaginava. Durante uma cirurgia rotineira para tratamento de um câncer no estômago, os médicos do hospital Memorial Sloan-Ketterin (NY) tiveram uma surpresa. Esperava-se que tumor estava contido e não tinha se alastrado. Na verdade, "centenas de tumores foram encontrados", segundo conta com pesar Colan. O artista deve ficar no hospital por mais duas semanas. E, embora o tratamento vá continuar, a equipe médica já alertou que não existem mais esperanças. "Dolores, sua esposa, está sofrendo muito", diz o comunicado, assinado também por Adrienne, neta de Buscema.
O texto de Colan traz ainda um alerta para os jovens fumantes, já que John só teria parado de fumar nos anos 80. "Não sabemos se esse vício contribuiu para a doença, mas estou certo de que não ajudou".
A inegável marca na Marvel
Sim, ninguém pode negar que a história de John Buscema está intimamente ligada a da Marvel Comics. A marca que o desenhista deixou em alguns dos principais personagens da Casa das Idéias é evidente. Nos anos 70, Buscema impôs seu estilo particular às aventuras do Quarteto Fantástico, dos Vingadores, do Thor e, no começo dos anos 90, aos primeiros números da revista-solo do Wolverine (quem não se lembra das aventuras do Caolho na Ilha de Madripoor?).
Nascido no dia 11 de dezembro de 1927, John começou sua carreira artística fazendo histórias românticas na pequena Timely Comics em 1948, além de pequenos trabalhos como freelancer para editoras como a Charlton e a Gold Key. Anos mais tarde, a Timely daria origem a Marvel Comics, que Buscema abandonou em 58. O mercado norte-americano de gibis estava retraído demais, e ele buscou na publicidade sua fonte de renda. Quando os novíssimos personagens de Stan Lee (como o Homem-Aranha e os X-Men) começaram a levantar as vendas novamente, dando nova dimensão aos quadrinhos de super-heróis, o Sr.Excelsior pediu que Buscema voltasse a trabalhar com ele. Era a década de 60. Desenhando as aventuras do Hulk para a revista "Tales to Astonish", Buscema começou a impor seu traço dinâmico, cheio de movimento e emoção. Buscema criou a imagem que temos hoje do Surfista Prateado e, na década de 70, começou a trabalhar com seu filho mais conhecido -Conan, o Bárbaro. Hoje em dia, especialmente para quem é leitor de quadrinhos das antigas, é quase impossível pensar em histórias do bárbaro sem lembrar dos desenhos de John Buscema.
Quase nos anos 80, John escreveu com Stan Lee o livro-referência "How to Draw Comics the Marvel Way" (Como Desenhar Quadrinhos no Estilo Marvel), obra que até hoje está na cabeceira dos aspirantes a desenhistas na Marvel. Quase aposentado, Buscema só tem desenhado projetos muito especiais, que chamam demais sua atenção. O mais recente foi a releitura que Stan Lee, seu velho amigo, fez do Super-Homem para a DC Comics ("Just Imagine Stan Lee With John Buscema Creating Superman"). Jerry Siegel e Joe Shuster ficariam orgulhosos. Ah, é: como no caso das famílias Romita e Kubert, o clã Buscema tem mais de um desenhista de quadrinhos. O irmão de John, Sal, também é desenhista e arte-finalista. No entanto, não tem um terço do talento do mano John -é só ver o trabalho que o cara fez com o Homem-Aranha nos anos 80 pra sacar do que estou falando.
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