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A todos aqueles que até agora se perguntam porque diabos o aparentemente canastrão Russell Crowe (Gladiador) vem papando todos os principais prêmios que antecedem o Oscar como melhor ator, a resposta para as suas dúvidas está em Uma Mente Brilhante. Num filme que tinha tudo para passar em brancas águas, o ator australiano se rende à direção competente de Ron Howard (O Grinch, Apollo 13) e mostra uma faceta sensível, surpreendendo o público como um grandalhão completamente fragilizado por sua esquizofrenia. Eu mesmo, fã e tiete incondicional do Senhor dos Anéis de Peter Jackson, começo a achar que a obra de Howard pode ganhar, com muita justiça, a estatueta de melhor filme no Oscar 2002.
Baseado em um livro da escritora Sylvia Nasar, “Uma Mente Brilhante” (A Beautiful Mind) conta a história do brilhante e excêntrico matemático John Forbes Nash (Crowe), que iniciou uma carreira meteórica na universidade de Princeton. No entanto, o sucesso que suas teorias econômicas (desafiadoras do estabelecido até então pelo lendário Adam Smith) poderiam ter obtido acaba sendo interrompido por uma série de alucinações que começam a transformá-lo num homem paranóico, a beira da loucura. Sofrendo dos primeiro sinais de esquizofrenia, o matemático acaba se envolvendo com uma de suas alunas, a doce Alicia (Jennifer Connelly), sua principal aliada na batalha para distinguir o que é real das peças que sua mente brilhante e ao mesmo tempo perturbada prega.
Inegavelmente é um excelente filme. Consegue ser sentimental, dramático e envolvente como boa parte dos blockbusters que infestam nossas telas. Mas a história é bastante coesa, fluindo de uma forma que é difícil ver nas últimas grandes produções. E, é claro, o grande destaque fica para Crowe. Connelly está ótima (e belíssima, diga-se de passagem), assim como boa parte do elenco de apoio – incluindo o eficiente Ed Harris. No entanto, todos estão ali para celebrar este australiano versátil que outrora foi um guerreiro da Roma antiga. É claro, em alguns momentos o ator pode parecer um tantinho forçado, não nego. Tipicidades de um filme hollywoodiano. Mas…que diabos: qualquer escorregadela é perfeitamente perdoável diante de uma interpretação que vai do amável doente mental ao gênio arrogante e insuportável.
Quanto aos detalhes técnicos, aplausos para a maquiagem de Crowe, conforme o personagem vai envelhecendo. A de Connelly poderia ter ficado um tantinho melhor, já que a beleza jovial e o olhar da moça dificultam que ela aparente uma mulher de 60 anos, por mais que se esforçe bastante. Ponto positivo também para os efeitos especiais das alucinações do matemático, envolto em números enquanto tenta decifrar alguns códigos… Passam rigorosamente toda a confusa rapidez de pensamento de um gênio como Nash.
Em resumo: deixe o preconceito de lado e vá ver o filme. Não é só porque se trata de um drama e porque este é o principal concorrente de “O Senhor dos Anéis” que você tem que ficar cheio de dedos. É um excelente filme…e ponto final.
A Beautiful Mind, EUA/2001. Dir. por Ron Howard. Com Russell Crowe, Jennifer Connelly, Ed Harris, Christopher Plummer, Paul Bettany, Adam Goldberg
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