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Artigo adicionado em 23/10/2002, às 02:27

Crítica: STAR WARS – EPISÓDIO II: O ATAQUE DOS CLONES
‘Episódio 2’ funciona muitíssimo melhor que o ‘Episódio 1’ Anakin Skywalker, o futuro Darth Vader Resumindo em poucas palavras para os mais apressadinhos: "Star Wars – Episódio 2: Ataque dos Clones" realmente é muito melhor do que o burocrático "Episódio 1: A Ameaça Fantasma". Tem mais ação, mais sabres de luz cruzando o ar, muito […]

Por
Thiago "El Cid" Cardim

Mas... me fala deste rabinho, caro Jedi?

Anakin Skywalker,
o futuro Darth Vader

Resumindo em poucas palavras para os mais apressadinhos: "Star Wars – Episódio 2: Ataque dos Clones" realmente é muito melhor do que o burocrático "Episódio 1: A Ameaça Fantasma". Tem mais ação, mais sabres de luz cruzando o ar, muito mais humor e muitíssimo mais daquele velho charme jedi que os fãs adoram. No entanto, é claríssimo que, ainda assim, este novo capítulo da saga espacial de George Lucas está anos-luz (com o perdão do trocadilho) distante da trilogia original. Portanto, fazendo um cálculo matemático meio maluco, já dá pra esperar um filme ainda melhor em "Episódio 3". Pelo menos, isso é o que nós desejamos…

A história acontece exatamente dez anos depois de "A Ameaça Fantasma". O Conselho Jedi, agora uma força combalida, assiste com apreensão à formação de um perigoso movimento separatista que pretende unir planetas e alianças corporativas para derrubar a República. Por trás desta história toda está o misterioso Conde Dookan (originalmente Dooku, interpretado por Christopher Lee), um antigo e temido mestre Jedi. Padmé Amidala (Natalie Portman), outrora Rainha de Naboo, agora é uma importante senadora de posicionamento radical. Ela se coloca totalmente contra a criação de um exército sancionado pela República para impedir a ação dos separatistas.

Não demora para que a garota se torne alvo de uma série de atentados. Compreendendo sua importância para a manutenção da paz, o Conselho Jedi designa Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), agora um poderoso (e barbudo) mestre de sua ordem, para protegê-la. Ao seu lado está o padawan (aprendiz) Anakin Skywalker (Hayden Christensen), o ponto central da trama – como se sabe, ele vai se tornar o mega-ultra-vilão-fodão Darth Vader, pai de Luke e Leia.

Já mostrando traços de sua futura personalidade, Anakin é um jovem impulsivo, rebelde, que vive uma relação completamente tumultuada com o mestre Obi-Wan – ao mesmo tempo uma espécie de "pai" e maior obstáculo ao seu crescimento como cavaleiro jedi. Por sinal, é justamente a filosofia dos maiores guerreiros da galáxia que começa a entrar em conflito com os sentimentos da Anakin. Dez anos depois, ele reencontra Amidala e seu coração bate acelerado – o jovem Jedi está apaixonado! Mas não: um Jedi não pode se entregar a este tipo de relação. Ele deve amar a todas as criaturas como iguais, como irmãos. Assim como o ódio, o amor também é um sentimento proibido.

Agora dá pra entender porque ele é MESTRE

O Mestre Yoda

PONTO POSITIVOS

Na verdade, são vários, por mais que meu caro colega Fanboy não concorde 100% com a afirmação. O principal é mesmo a retomada de parte do espírito da série original. As lutas de sabres de luz estão lá, presentes e muito bem coreografadas – e não são poucas, diga-se. A decantada sequência na qual dezenas de diferentes Jedis enfrentam uma tropa de dróides é excelente. Grandiosa, digna de um filme com a marca "Guerra nas Estrelas". Finalmente vemos o mestre Mace Windu (Samuel L. Jackson) em ação com seu sabre roxo. Dookan (que já tinha protagonizado uma excelente sequência de luta em "O Senhor dos Anéis", na pele do cruel mago Saruman) também mostra a que veio. E para delírio dos fanáticos… SIM! YODA TAMBÉM LUTA! Quando o baixinho verde e orelhudo saca o sabre de luz para enfrentar Dookan, seu antigo aprendiz, ele dá vida à sequência mais memorável da película. Posso dizer, com toda a sinceridade, que grudei na cadeira ao ver a luta. É lindo. Quase chorei. E… sim, estou falando sério. Ele é, sem dúvida, o personagem mais marcante deste "Episódio 2", dono de uma presença decisiva.

Vale ficar ligado nas pequenas referências ao que vai acontecer nos episódios 4, 5 e 6, que Lucas vai espalhando ao longo do filme. Numa determinada cena, por exemplo, Anakin diz para o mestre Obi-Wan: "Mas eu nunca lhe faria nenhum mal". Se levarmos em conta que, no "Episódio 4: Uma Nova Esperança", Darth Vader mata o velho mestre em um duelo de sabres, dá pra arrancar, no mínimo, um sorriso do espectador mais atento. 🙂 Ainda sobre este assunto: fique bem atento à sequência final do filme. Ela diz bastante para quem lembra do final de "O Retorno de Jedi". E não perca de vista Owen Lars e sua esposa Beru, os tios que criam Luke Skywalker em Tatooine, logo no início do "Episódio 4". Finalmente vamos entender o papel deles!

Não dava para ficar sem falar na belíssima qualidade das imagens digitais que definitivamente tomou conta desta franquia intergaláctica. É o império da "tela azul". Sim, a coisa ainda não está perfeita – dá pra sacar uma certa artificialidade em alguns movimentos de personagens digitais ou mesmo neste ou naquele cenário. Mas isso não deixa de ser um pouco de preciosismo da parte de certos críticos – no geral, as espaçonaves, robôs, prédios e cidades futuristas da Lucasfilm são de cair o queixo. Ah, é claro, já que falamos em robôs, como eu poderia esquecer? Finalmente temos a simpática dupla de dróides C3-PO e R2-D2 reunida. O andróide tradutor, por sinal, está numa das sequências mais hilariantes do filme, que remete imediatamente ao que aconteceu com ele no episódio 6.

Alec Guiness: esta é pra você!

Obi-Wan Kenobi
empunha o sabre de luz

PONTO NEGATIVOS

Pois é… Eu me lembro que, certa feita, um amigo me perguntou porque diabos, na trilogia original, George Lucas havia dirigido pessoalmente apenas o "Episódio 4". A resposta está neste filme: porque ele é um PÉSSIMO diretor de atores! Assim como no "Episódio 1" (também dirigido por ele), muitos diálogos estão forçados e artificiais até a alma, transformando atores consagrados como Christopher Lee em meros canastrões. Tudo bem, já se sabia que o início da relação entre Anakin e Amidala seria fortemente abordado no filme. Logo, as sequências mais românticas, que os fãs mais radicais trataram de repudiar, seriam inevitáveis. Mas precisava exagerar? Sei lá, ao declarar seu amor pela bela senadora, o Anakin parece muitas vezes um puta cafajestão de novela mexicana, meu! Porra, seu Lucas: tudo bem, você é rico pra caralho, mas um pouquinho de conversa e umas oficinas de atores mais demoradas, em detretimento aos meses de empenho na mesa de edição, dariam mais conteúdo à sua história.

Uma ressalva: para quem ainda tinha dúvidas, o canadense Hayden Christensen é um ótimo ator. É visível a mudança no olhar e na expressão corporal de Anakin a medida que certas coisas vão acontecendo e ele vai se aproximando do lado negro da Força. A fúria em seus olhos, o jeito de andar e mesmo certos detalhes de suas roupas denunciam o futuro do jovem Vader.

Um último puxão de orelhas para o tio Lucas: caceta, preste mais atenção na cronologia dos filmes! Você já sabe o que vai acontecer daqui pra frente, que tal pedir mais esmero ao continuísta??? Por exemplo: R2-D2 e C3-PO se encontram em Tatooine, o planeta natal de Anakin. No entanto, este é o mesmo planeta no qual Luke é secretamente criado pelos tios (dos quais já falamos logo acima). Putz, mas como diabos os dois dróides chegam ao planeta no "Episódio 4" e parecem ter convenientemente se esquecido de que lá estiveram um dia? Aguardamos ansiosos mais descobertas de furos como este para o nosso troféu "Cata-Piolho"! :-))))

Ficha Técnica
Star Wars – Episode 2: Attack of The Clones. EUA/2002. Dir. George Lucas. Com Hayden Christensen, Natalie Portman, Ewan McGregor, Samuel L. Jackson, Christopher Lee, Frank Oz, Anthony Daniels, Jimmy Smits


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