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O ano é 2029. Em algum lugar do sistema solar, a espaçonave USAF Oberon está coletando preciosas informações sobre comportamento no espaço. O intrépido astrounauta Leo Davidson treina macacos para dirigir pequenas unidades de reconhecimento, quando um de seus animais preferidos, o simpático Péricles, desaparece durante uma missão numa tempestade eletromagnética. Davidson tenta resgastá-lo, mas sua unidade acaba caindo num planeta desconhecido. Ao sair da nave, Davidson descobre que, naquela terra, os macacos estão no topo da cadeia evolucionária e dominam os humanos. Já sei: você acha que já sabe quem é o ator que interpreta o tal astronauta nesta trama – Charlton Heston. Nada feito: estamos falando de Mark Wahlberg.
Tire esta expressão de ponto de interrogação da sua cara: o clássico "Planeta dos Macacos" (Planet of Apes), filme de 1968 dirigido por Franklin J. Schaffner, foi relido pelo diretor malucão Tim Burton. A película, que antes fora estrelada por Charlton Heston (o eterno Ben-Hur, no papel de Taylor, o astronauta fortão), agora tem à sua frente o também fortão Mark Wahlberg (ex-Marky Mark e irmão do Donnie, do New Kids On The Block).
"Releitura? Mas isso não é um remake, ô seu mala?". Não. É uma outra história, uma outra perspectiva da ambientação criada no livro de mesmo nome que também originou o filme de 68. Quem já assistiu a qualquer um dos filmes de Burton sabe que ia ser difícil o cara fazer meramente um remake. Os dois primeiros filmes da série "Batman", "Bettlejuice – Os Fantasmas se Divertem" e o belíssimo "Edward Mãos-de-Tesoura" deixam claro que ele tem um estilo muito particular de narrativa. "Eu não estava interessado em fazer um remake ou uma sequência. Mas fiquei muito intrigado pela idéia de revisitar este mundo", afirmou Burton em comunicado oficial publicado no site oficial do filme, www.planetofapes.com. "Nós estamos tentando ser completamente respeitadores com o original, mas adicionamos novos personagens e novos elementos à história. Você pode dizer que estamos mantendo a essência do original, mas habitando este mundo de uma outra forma", continua ele. É isso que você tem que manter em mente pelo restante desta matéria.
"Ahhhhhhh…
…mas deixa ele mudar o quiser", você pode pensar. "O filme original era uma bosta mesmo, os efeitos especiais completamente toscos e aquela maquiagem de cinema thrash". Acredite, aqui o Cidão tem que fazer um aparte: se você pensou isso, você é um completo idiota (não, não vou pedir desculpas). A produção do filme pode ser simples, verdade: mas você tem que levar em consideração o fato de que "Planet of Apes" é da década de 60! Para a época, a maquiagem dos chimpanzés, gorilas, orangotangos e afins era o que tinha de mais avançado – chegou até a concorrer a Oscar por isso. Mas o grande tesão dos filmes (sim, o original gerou mais quatro continuações) era mesmo o roteiro.
No decorrer de "Beneath the Planet of Apes" (2), "Escape from the Planet of Apes" (3), "Conquest from the Planet of Apes" (4) e "Battle for the Planet of Apes" (5) você se depara com uma história muito bem amarrada, que conta exatamente como os macacos tomaram o controle do planeta, deixando os humanos de escanteio. A linha do tempo não tem furos, os personagens são muito carismáticos e envolventes.
Tudo que você precisa saber sobre o roteiro do filme de Burton é que se trata da "heróica" tentativa de Leo em voltar para casa e entender o que acontece naquele planeta símio. Qualquer outro detalhe sobre o desenvolvimento da trama pode estragar o seu entendimento sobre o final…mas sobre isso eu falo mais pra frente (você vai entender…ou não).
No seu caminho, Davidson conta com outros seres humanos fugitivos, entre eles a sensual Daena (a mais do que sensual Estella Warren, que embora seja muito bonita, mal fala três linhas durante o filme). E como nem todos os macacos detestam os humanos, ter uma amiga como a graciosa Ari (interpretada pela também graciosa Helena Bonham-Carter, de "Clube da Luta") pode salvar a vida de Davidson, por mais que ela seja filha do Senador Sandar (David Warner). Nesta cruzada pró-seres humanos, ela é acompanhada pelo sisudo gorila Krull (Cary-Hiroyuki Tagawa, o Shang-Tsung do primeiro "Mortal Kombat"), ex-soldado acolhido pela família de Ari.
No encalço do herói está o implacável General Thade, chimpanzé impiedoso e cruel que considera os humanos animais descartáveis. Impecavelmente interpretado pelo excelente Tim Roth (o bellboy de "Grande Hotel"), Thade é com certeza o melhor personagem do filme. A maquiagem do especialista Rick Baker está de cair o queixo, não nego. O cara é um dos maiores nomes atualmente no ramo em Hollywood – basta ver o que ele fez com o Eddie Murphy em "Professor Aloprado". Mas só com o olhar, com os gestos, a postura e os rosnados, Roth dá um show de interpretação. O braço direito do vilão é o Capitão Attar (Michael Clarke Duncan de "À Espera de Um Milagre"), um enorme gorila que é o responsável pela casta de guerreiros e o principal combatente da crescente revolução de humanos que se forma (as coisas não mudam mesmo, né?).
O filme é realmente divertido, tanto quanto o original. Cada um tem suas qualidades, exatamente por se tratarem de produções tão distintas. A ambientação gótica de Burton dá luz a uma crítica política mais forte, trazendo à tona a discussão sobre a dominação. Não são poucas as vezes nas quais vocês vão sentir referências diretas ao racismo no filme. Já o clássico de 68 era mais light, muito menos político e mais social, uma reflexão sobre a relação do homem com o animal. Diferentes, mas nem por isso menos geniais.
Para os fãs dos filmes originais, Burton guarda na manga duas rasgadas homenagens. A primeira é a participação especial do próprio Charlton Heston, no papel do morimbundo pai de Thade. E sim: a cena do beijo interracial está lá. O mais estranho é ver que ela causou a mesma reação de estranhamento na platéia que nunca tinha assistido ao original de 68 que deve ter causado quando este primeiro "Planeta dos Macacos" foi lançado.
Ah, sim…o final
Bão, deixei pra comentar isso por último não só porque se trata do final, mas também porque é a coisa mais…complicada. Isso aí: uma pesquisa comprova que 48% dos americanos não entenderam o final da obra. Na verdade, trata-se de um desfecho um tanto aberto, concordo. Mas com um pouco de cultura de ficção científica já dá pra tirar suas conclusões. E este é o tesão: as pessoas conversando e formulando suas teorias sobre o destino de Leo Davidson. Como prometido por Burton, o encerramento do filme é realmente SURPREENDENTE, tanto quanto foi o do filme de Schaffner.
Só pra lembrar: no final do "Planeta dos Macacos" original, o astronauta Taylor, cavalgando pelas areias de uma praia no mundo dos símios, descobre os destroços da Estátua da Liberdade e finalmente saca que, na verdade, está na Terra do futuro (a cena é esta aí abaixo- clique para aumentar a imagem). Pena que o Homer Simpson só foi entender anos depois (D’OH!).
Inicialmente, pode parecer confuso entender a cronologia que Tim Burton estabeleceu para os acontecimentos do filme. Mas basta prestar um pouquinho de atenção em alguns detalhes para entender a cadeia de eventos que foram rolando no filme. É óbvio que não vou ficar aqui falando que em que detalhes você deve se ligar você pode não ter assistido ao filme, ora bolas! Mas eu tenho a minha própria teoria, que tento provar com estes mesmos detalhes dos quais falo.
Na verdade, antes de falar o que EU entendi, vou abrir a discussão: "Você sacou o que rola no fim do Planeta dos Macacos?". Quem acha que manjou, me mande um e-mail explicando seu ponto de vista. As respostas mais convincentes serão publicadas n’A ARCA ao lado das explicações espaço-temporais de El Cid e Fanboy.
:: Conheça o visual de alguns personagens do filme (clique e veja maior)
:: Ah, é claro que a gente não podia esquecer…
Teaser do filme "Planet of Apes"
Formato: .mov
De onde a gente tirou: www.comingsoon.net
Full Screen – 20.8MB
Alta Resolução – 12.9MB
Média Resolução – 4.8MB
Baixa Resolução – 3.5MB
Trailer do filme "Planet of Apes"
Formato: .mov
De onde a gente tirou: www.comingsoon.net
Full Screen – 49.0MB
Alta Resolução – 29.3MB
Média Resolução – 13.0MB
Baixa Resolução – 8.5MB
É isso. Não gostou, vá pentear macacos – elcid@a-arca.com
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