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Artigo adicionado em 23/10/2002, às 02:25

Crítica: O MISTÉRIO DA LIBÉLULA
O diretor Tom Shadyac dá a chance que Costner precisava para ressuscitar sua carreira Costner e as libébulas Se você é daquele tipo ‘machão’, que acha que homem não deve chorar, passe beeeeeeeeeem longe de "O Mistério da Libélula", do diretor Tom Shadyac ("Patch Adams", "O Mentiroso", "O Professor Aloprado"). Se você é daqueles intelectualóides […]

Por
Thiago "El Cid" Cardim

Cadê meu detefom?

Costner e as libébulas

Se você é daquele tipo ‘machão’, que acha que homem não deve chorar, passe beeeeeeeeeem longe de "O Mistério da Libélula", do diretor Tom Shadyac ("Patch Adams", "O Mentiroso", "O Professor Aloprado"). Se você é daqueles intelectualóides que acham que este tipo de filme não passa de uma "artimanha hollywoodiana barata" para fazer as platéias chorarem, é melhor evitar o filme também. E se você é daqueles que acha que, depois de "Waterworld" e "O Carteiro", Kevin Costner nunca mais vai fazer nenhum filme bão…aqui está a prova que você precisava.

Costner está muito bem no papel de Joe Darrow, marido que começa a entrar numa espécie de ‘círculo de enlouquecimento’ depois de perder a amada esposa num acidente trágico. Fica claríssima a mudança no olhar do personagem, um racionalista convicto, quando ele começa a ter contato com o ‘outro mundo’. Aliás, todo o elenco principal está muito bem, perfeitamente convincente. As crianças do hospital infantil, com destaque para o pequeno Jeffrey, estão deliciosamente divertidas e comoventes.

A trama é envolvente e, em alguns momentos, muito mais tensa do que o trailer sequer possa dar pista. Embora use e abuse de uma série de clichês do gênero (é óbvio), o diretor conseguiu criar um dramalhão que é realmente tocante e que – vejam só – acaba tendo um final completamente inesperado. De verdade. A sequência final vai entrando num clímax tão eletrizante que você acaba se retorcendo na cadeira. As pistas para resolver o tal ‘mistério da libélula’ do título são sutis e estão por todo o filme. No entanto, é muito provável que você acabe achando que a resposta é a mais óbvia…mas não é não. Fique atento! 🙂

A história…

…começa com a morte de Emily (Susanna Thompson), médica da Cruz Vermelha cujo ônibus acaba sendo soterrado por um dessabamento durante uma missão humanitária na Venezuela. Dessolado, seu marido, Joe Darrow (Costner), chefe do pronto-socorro de um dos principais hospitais de Chicago, acaba entrando num depressão profunda. Mas ele se prontifica a cumprir uma das últimas promessas que fez à sua amada: ver como estão as crianças das quais ela cuidava no departamento de oncologia do hospital. O mundo do materialista Joe começa a dar voltas quando o pequeno Jeffrey, um dos últimos pacientes de Emily que ainda estão internados, diz que a viu num sonho, e que ela precisa dar um recado urgente ao marido. A última lembrança do menino, no entanto, é um estranho desenho, que mais se parece com uma cruz entortada. A mesma ilustração é feita por um outro garoto, este recém-internado – portanto, alguém que nunca conheceu sua esposa. No entanto, ao ver as fotos de Emily, o menino diz que também sonhou com ela, dentro de um arco-íris. E é para lá que Joe deve ir.

Sentei na mesa de um bar, comecei a meditar, procurando a solução...pro futuro da nação...e do Imposto Predial

Costner e as libébulas…
de novo

Perturbado pelas estranhas mensagens, o médico começa a ter visões, em sua própria casa, da esposa morta. Uma série de acontecimentos estranhos, todos envolvendo o tal desenho ou a figura de uma libélula, começam a fazer Joe acreditar de verdade que sua esposa o está tentando contactar. Por que uma libélula? Porque era simplesmente o animal favorito de Emily, uma espécie de talismã da sorte que ela tinha em todo lugar: quadros, pesos de papel e até numa marca nas costas, similar a uma libélula. Deveria um médico, que até então só acreditava nos corpos que opera no hospital, crer que a porta para o outro mundo se abriu em sua vida?

No entanto…

…vale um aviso, que é óbvio: a trama pode incomodar um pouco aos que tem dificuldade de dissociar a ficção da realidade. Aos que acreditam em outros dogmas e preceitos religiosos que não os do espiritismo, o filme pode parecer infactível, causando uma série de discussões do tipo "na Bíblia, isso não existe" e outras coisas do gênero. No mais, sugiro que pessoas como estas dispam-se de suas religiões, entrando na sala de cinema somente como seres humanos, capazes de se emocionar com uma bela história de amor. "O Mistério da Libélula" é, antes de tudo, uma lição aos babacas 100% racionais que jamais se deixam levar pelo coração. Eu chorei. Você pode chorar também. Basta ser, apenas por 2 horas, um pouquinho mais tolerante e ecumênico. Sua alma agradece.

Dragonfly. EUA/2002. Dir. Tom Shadyac. Com Kevin Costner, Susanna Thompson, Kathy Bates Joe Morton, Ron Rifkin


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