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Prepare as plumas, lantejolas e paetês coloridos, porque ele está de volta! Com "Austin Powers e o Homem do Membro de Ouro", terceira incursão cinematográfica do personagem, o ator Mike Myers mostra que cresceu de verdade dentro do mundo do entretenimento norte-americano, trazendo uma porrada de caríssimas participações especiais e fazendo um humor que trafega sem problemas do pastelão às referências sutis e refinadas.
O elenco está afinadíssimo – o simpático anãozinho Vernon Troyer quase não diz uma fala, mas rouba a cena toda vez que surge na tela (especialmente na meia-hora final). O papel de Mini-Me, por sinal, se torna muito mais importante na trama, assim como o de Scott, filho do Dr.Evil (e interpretado por Seth Green). Mas o grande destaque fica por conta de Michael Caine, ator das antigas que assume o papel de Nigel Powers, o paizão de Austin. Canastra na medida certa, ele é do tipo cafajeste, cheio de charme…e com os mesmos dentes mal-cuidados do filhote.
Além de Powers, Mike Myers interpreta outros três personagens: Dr.Evil (sem dúvida, a melhor coisa do filme), o terrível Goldmember (o Membro de Ouro do título, cujo nome e sotaque são alusão ao Goldfinger, clássico vilão de 007) e ainda o Igor Dão (Fat Bastard), aquela criatura adiposa que volta a infestar nossa telona. Cada um deles é cheio de personalidade e carisma próprios, o que faz os críticos engolirem, de uma vez por todas, toda e qualquer crítica ao talento de Myers. E, fala sério: com a bilheteria que este filme anda tendo pelo mundo, ele tinha mais é que mandar os críticos passearem, isso sim…
Ah, é: os garotos escolhidos para a sequência de flashback na qual Austin Powers e o Dr.Evil eram apenas adolescentes na academia da alta inteligência inglesa estão perfeitos!
A TRAMA (OU: O TRIUNFAL RETORNO DO DR.EVIL)
De volta do espaço, Dr.Evil e seu fiel comparsa Mini-Me (um clone diminuto de si mesmo) planejam mais uma artimanha para ganhar seu UM MILHÃO de dólares e conquistar o mundo de vez: nos anos 70, um gênio do crime conhecido como Membro de Ouro (Goldmember) criou os planos para uma espécie de raio trator que vai atrair para a Terra um enorme asteróide feito totalmente de ouro – desta forma, vai ser fácil chantagear os líderes mundiais. Trazido diretamente do passado pela indefectível máquina do tempo de Evil, o vilão com uma tara por pintar de dourado as partes baixas de seus adversários se depara com um antigo inimigo: Nigel Powers, que acaba sequestrado para servir de moeda de troca contra o agente secreto cheio de "mojo". Para resgatar o seu querido papai e tentar salvar o mundo novamente, Austin vai contar com a ajuda de outra egressa dos anos 70: a sensual agente Foxy Cleopatra (vivida pela gostosíssima Beyoncé Knowles, vocalista principal do Destiny’s Child).
A história, na verdade, não é de todo nova ou original – e cá entre nós, nem teria como ser de outra forma, já que se trata, na essência, de uma paródia aos filmes clássicos de agentes secretos. Mas este "Austin Powers", muito mais do que os outros dois, não se prende a esta trama, mas a usa como fio condutor básico para uma série de piadas sobre a indústria do entretenimento como um todo. "Matrix", "Missão Impossível 2", "Silêncio dos Inocentes", todos estão na mira de Powers. Até a atual predominância do rap nas paradas de sucesso americanas gera uma espécie de videoclipe que é o retrato da MTV americana. E, é claro, um certo hit da atual programação das TVs americanas acaba dando as caras também…
É exatamente por isso que o filme não se perde: é um roteiro simples, mas coeso, que torna tudo mais coerente quando ele resolve ir além em suas gags e citações. E mais: não subestima sua inteligência, caro espectador. Porque, direta ou indiretamente, Myers faz referências aos dois primeiros filmes – referências estas que, se você tiver um olho clínico, se tornam uma verdadeira cereja no bolo. Caso contrário, se você não tiver percebido a sutileza, são sequências divertidas do mesmo jeito.
Por sinal, a sequência inicial é simplesmente hilária, das coisas mais divertidas que Hollywood já fez nos últimos anos, uma brincadeira com os filmes musicais que reúne uma série de participações especiais de grandes figurões. Conforme anunciado, Tom Cruise (Minority Report), Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado) e o diretor Steven Spielberg (preciso apresentar?), além da cantora Britney Spears, dão as caras…mas não pára neles, acredite. Até o Fred Savage (o Kevin Arnold de "Anos Incríveis") resolve dar o ar de sua graça, com uma enorme e cabeluda verruga estampada na cara. Dizer qualquer coisa a mais vai estragar a descoberta. Quanto ao final…bem, é óbvio que ele sugere um quarto filme. Mas até que se chegue próximo dos últimos quinze minutos, você é realmente pego de surpresa.
Fato: tenho um pouco de receio que, em alguns momentos, o público brasileiro médio não vá sacar algumas das piadas, que vão além do pastelão e mexem muito mais com toneladas de referências ao mundo da cultura pop. Mas aposto minhas fichas que, ainda assim, é um filme que vai agradar àqueles que aguardam o retorno de uma competente comédia do cinemão pipoca às nossas telinhas. Senhores: preparem-se para uma viagem pelo mundo de Austin Powers! YEAH, BABY, YEAH!
PS: Para quem entende inglês, a sacada das legendas quando Powers e Foxy estão no escritório do empresário japonês é de rolar de rir. Fica ligado!
Ficha Técnica
Austin Powers in Goldmember. EUA/2002. Dir. Jay Roach. Com Mike Myers, Beyoncé Knowles, Michael Caine, Vernon Troyer, Seth Green
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