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Artigo adicionado em 19/10/2002, às 08:22

AÇÃO SEM LIMITES??
Será que é tão complicado assim fazer um desenho do Homem-Aranha? O Homem-Aranha de "Spider-Man Unlimited": uniforme novo Ele é um dos super-heróis mais cultuados no Brasil e no mundo. Mesmo assim, desde os anos 60, os produtores da Marvel vêm tentando fazer uma transposição decente do Homem-Aranha dos quadrinhos para os desenhos animados…e todas […]

Por
Thiago "El Cid" Cardim

Não, não se trata do Homem-Aranha 2099

O Homem-Aranha de "Spider-Man Unlimited": uniforme novo

Ele é um dos super-heróis mais cultuados no Brasil e no mundo. Mesmo assim, desde os anos 60, os produtores da Marvel vêm tentando fazer uma transposição decente do Homem-Aranha dos quadrinhos para os desenhos animados…e todas elas tem resultado em fracassos retumbantes. A primeira série do aracnídeo, aquela da clássica música “Spider-Man, Spider-Man, friendly neighborhood Spider-Man…”, até que era aceitável, vá lá. Embora as primeiras dublagens desse desenho no Brasil tenham sido escrotas (o Peter Parker era Pedro Prado, e trabalhava no Estado de São Paulo, e não no Clarim Diário), as referências até que eram interessantes para os fãs: os vilões clássicos estavam lá, e algumas histórias lembravam bastante os melhores momentos do Aranha. Mas tudo que veio a partir daí foram tentativas deprimentes.

A primeira delas foi “Spider-Man and His Amazing Friends”, nos anos 80. Era o Homem-Aranha que nós conhecemos, morando na casa da Tia May, que tinha alugado dois quartos da casa para dois jovens muito interessantes: Bobby Drake e Angelica Jones (ou algo do gênero, se bem me lembro), respectivamente os heróis mutantes Homem de Gelo e Flama. Era aí que a coisa pegava: o Cabeça de Teia combatendo o crime ao lado deste dois, criando situações patéticas – Deus meu, era só alguém atacar o Homem de Gelo usando fogo e a Flama usando gelo que só sobrava o aracnídeo para contar a história! 🙂 Embora os roteiros fossem um lixo e a animação uma bosta, a gente via muitas das grandes estrelas do universo Marvel desfilarem pela tela, como o Capitão América, os X-Men (da formação com Colossus, Noturno e Wolverine), o Doutor Estranho e Namor, o Príncipe Submarino e clone do Dr.Spock. Desenho bem ao estilo Superamigos: de tão ruim, acabou virando cult, lembrado com carinho pelos fãs. Mas que era trash, era mesmo.

"Só faltava me mandarem atravessar o sétimo portal..."

Spider-Man Animated Series: Que decepção…

Então, eis que surge, no meio dos anos 90, aquele que parecia a salvação da lavoura: “Spider-Man: Animated Series”. Mas foi uma decepção, pelo menos para os fãs mais antigos do personagem (como o El Cid bom e velho de guerra que vos fala). Investindo pacas em itens de merchandising, a Fox Films esqueceu da animação, misturando de forma esdrúxula animação tradicional (estilo americano anos 80, meio G.I. Joe) e fundos (backgrounds) em computação gráfica – que sinceramente, até meu primo geek faria melhor no 3D Studio. Mesmo que muitos dos personagens e acontecimentos da vida de Peter Parker estivessem na cronologia do desenho, eles eram adaptados de uma forma muito futurista, com muitas explosões e raios laser, que não fazem parte da linha do Aranha, um personagem por si só muito mais urbano e anos 90. Mas a coisa mais irritante desta série era a total falta de timing: parecia que os roteiristas queriam colocar histórias de duas horas num episódio de meia hora! Tudo acontecia tão rápido, tão esbaforido, dava a impressão que tava todo mundo com pressa, meu! 😛

Finalmente, em 99, a Fox Films anunciou o novo desenho do Homem-Aranha, que parecia vir para apagar os erros de seus antecessores. Batizado de “Spider-Man: Unlimited” (aqui no Brasil, “Homem-Aranha: Ação sem Limites”), esta mistura de Homem-Aranha 2099 e Desafiadores do Desconhecido (um título clássico da DC Comics) veio com tudo.

A história é a seguinte: Peter Parker, já casado com Mary Jane, se vê num meio de um dilema terrível, depois de ter abandonado definitivamente a identidade de Homem-Aranha: o astronauta Jonh Jameson, filho do J.J., penetra num portal que acaba levando-o para a Contraterra, uma nova versão de nosso mundo criada pelo Alto Evolucionário, na qual os Homens-Fera (neste desenho, chamados de Bestiais) é que são a raça dominante, oprimindo os seres humanos. O mais bizarro é que Venom e Carnage acabam sendo compelidos mentalmente a segui-lo através do portal, graças a uma colônia de simbiontes que quer dominar a Contraterra. Depois de ver uma mensagem de socorro de Jonh, a única que ele conseguira enviar da Contraterra, Peter resolveu resgatá-lo, voltando pela milésima vez a ser o Homem-Aranha. Usando um modernoso uniforme feito a partir de nanotecnologia e criado por Reed Richards, o Aranha partiu em direção a este novo mundo…e o portal atrás de si fechou-se.

"É por aqui que a gente sai desse desenho?"

O Homem-Aranha de "Spider-Man Unlimited" se balançando sobre Nova York

As vantagens da série são muitas, e delas não tiro o mérito: animação bem trabalhada, com profundidade e textura, além de excelentes cenas de ação. O design de personagens e uniformes é primoroso, e as histórias têm todas as referências que nós, nerds de plantão, adoramos: os roteiristas deixaram aqueles detalhes que só os fãs de quadrinhos entenderiam – quem mais perceberia, por exemplo, que o tal robô renegado X-51 é o Homem-Máquina, aquele antigo personagem dos Vingadores que recentemente ressurgiu como parte das maquinações de Bastion contra os X-Men? E o mais bacana é que estes detalhes não prejudicam o andamento e o entendimento das histórias. Com tantas coisas boas a se perceber, por que então o pentelho encravado do El Cid abre a matéria dizendo: “Será que é tão complicado assim fazer um desenho decente do Homem-Aranha?”. Porque, embora cheios de referências facilmente identificáveis, os roteiros são muito fracos. Quase infantilóides, de tão bobinhos. E novamente temos o problema do timing: histórias enormes em episódios pequenos. E aquela correria sem fim. O que mais irrita é que o primeiro episódio é muito legal: o timing tá perfeito, tudo acontece no tempo certo, e aparecem, além dos coadjuvantes clássicos do Aranha, o Quarteto e o Nick Fury! 🙂

Resultado: acabei meio que perdendo as esperanças. Resta esperar que o filme do Homem-Aranha, sob a competente direção do Sam Raimi, seja a salvação da lavoura. Embora “Spider-Man Unlimited” já tenha sido encerrado pela Fox Films, parece que, nos States, a Fox Kids está tentando ressuscitar a série, reprisando os episódios antigos e já anunciando uma possível retomada dos trabalhos para mais desenhos, num futuro não muito distante. É esperar para ver se melhora daqui pra frente….

Mas eu e o Fanboy ainda vamos abrir uma pequena empresa de animação para prestar serviços a Fox Films, vocês vão ver… elcid@a-arca.com


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