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Artigo adicionado em 15/10/2002, às 04:21

A ADAPTAÇÃO DO FILME DO ARANHA PARA OS QUADRINHOS
O titio Stan Lee precisa rever seus conceitos… Capa da revista nacional Tudo bem, admito que fazer uma adaptação para quadrinhos de um filme baseado num personagem de HQs que você mesmo criou é redundante pra cacete. Imagino só a situação do velhinho Stan Lee, escrevendo uma adaptação da adaptação de uma história que ele […]

Por
Thiago "El Cid" Cardim

Porra, Stan Lee: o que foi que você bebeu?

Capa da revista nacional

Tudo bem, admito que fazer uma adaptação para quadrinhos de um filme baseado num personagem de HQs que você mesmo criou é redundante pra cacete. Imagino só a situação do velhinho Stan Lee, escrevendo uma adaptação da adaptação de uma história que ele escreveu há quarenta anos. Mas, mesmo assim, em "Homem-Aranha: A Adaptação Oficial do Filme", o tiozinho abusa do direito de ser ele mesmo. E como.

Os puritanos já vão se apressar em dizer: "Ah, é um pecado falar assim do homem que é criador de mais da metade do Universo Marvel e blá-blá-blá…". Bullshit. Quem leu qualquer um dos gibis que ele escreveu naquela época, entre os anos 60 e 70, e resolver ler um de seus trabalhos atuais, como as releituras dos principais personagens da DC Comics, vai ter uma decepção. Stan Lee está parado no tempo. Perdeu a capacidade de se renovar. E só consegue escrever variações das histórias que ele mesmo escreveu anos atrás. É assim com a versão em gibi da milionária película dirigida por Sam Raimi.

Em 52 páginas, Lee tenta espremer, sem a menor noção de timing, todas as principais sequências do filme. É óbvio que ele não consegue. E a ação corre de uma forma que parece que tudo acontece tão rápido que com certeza você deve ter perdido alguma coisa no meio do caminho.

Não, não quero este skate com cara de jatinho

A cena reduzida

Querem um exemplo? A primeira cena na qual aparece o laboratório da Oscorp, quando somos apresentados ao Dr. Mendel Stromm e conhecemos, pela primeira vez, o planador e a armadura que mais tarde Norman Osborn usaria como Duende Verde. Esta sequência é contada em exatos…dois quadrinhos. Quando o Duende surge nitidamente pela primeira vez no Festival da União Mundial, em Times Square, quem não viu o filme se pergunta logo: de onde saiu esta roupa? E nada é dito sobre ela até o final. A cena na qual Peter Parker cria o uniforme de Homem-Aranha também é retirada, o que causa uma sensação muito estranha quando o vemos saltando sobre os bandidos nas páginas seguintes. E o que dizer da história da luta livre? Em nenhum momento Lee deixa claro que o personagem vai enfrentar Bone Saw McGaw (Pra quê diabos eles traduziram o nome para Serra-Ossos se no filme o nome tá em inglês?) tendo em vista comprar um carro para impressionar a vizinha Mary Jane.

O que Sam Raimi acertadamente faz no filme do Aranha é extrair a essência do personagem. O filme não é a tradução literal do número 15 de "Amazing Fantasy" ou mesmo da primeira edição de "Ultimate Spider-Man". É o mesmo, guardadas as devidas proporções, que Peter Jackson faz em "O Senhor dos Anéis", entendendo que são duas mídias completamente diferentes, embora guardem semelhanças, o que pede um tratamento diferenciado. Stan Lee acaba cometendo o mesmo erro que 90% das outras adaptações de filmes para quadrinhos, que tentam enfiar a trama cinematográfica, sem tirar nem pôr, naqueles pobres e inocentes quadrinhos. Se não couber…a gente corta uns blocos aqui, outros ali e tá djóia.

Revista Sexy? Não, não conheço...

Peter fotografa a amada Mary Jane Watson

Não tá djóia porra nenhuma. Pra mim, tudo que Lee fez foi pegar a história que ele escreveu em 1962 (cujo timing, me perdoem novamente os puristas, é péssimo…mas adequado para a época) e colocar elementos do filme.

Para não dizer que a revista é 100% ruim, tem duas coisas bacanas:

1) As piadas do Aranha: Tudo bem, Sam Raimi as deixou fora do filme porque ele retrata um Peter Parker ainda inseguro, em começo de carreira, sem firmeza e com medo demais para ser engraçado. Mas no gibi, Lee não se faz de rogado e espalha aquele bom e velho humor aracnídeo que ele mesmo desenvolveu. Bem bacana.

2) A arte do Alan Davis: Sim, isto nós temos que destacar. O inglês tem um estilo de desenho cheio de movimento, leve, ágil, dinâmico e, antes de tudo, muito elegante e limpo. Os traços são puros, delicados, humanos. As expressões faciais e corporais que ele faz são carregadíssimas de sentimento. Simplesmente divino.

Para os fãs mais malucos, como eu, vale por ser artigo de colecionador. Agora, se você não é completamente tarado pelo herói aracnídeo, melhor só pegar emprestada. Ou tirar uma xerox que já tá legaus.


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